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terça-feira, 4 de maio de 2010

As viagens a Paris da deputada de Lisboa

«Inês de Medeiros prescindiu do pagamento das despesas de deslocação semanais a Paris. A deputada socialista diz que não quer contribuir para transformar a política num circo demagógico.» (in "Jornal de Negócios")

Salvo melhor opinião, a senhora deputada deverida ter afirmado – logo que a questão foi levantada – o seguinte: «Eu fui eleita deputada por Lisboa e, por isso, julgo que não me devem ser pagas quaisquer viagens para Paris.»
Como o não disse, houve a polémica que houve.
Por isso, e salvo melhor opinião, o alegado "circo mediático" que se instalou foi provocado, precisamente, pela senhora deputada.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Ética socialista (escutas em Belém e "Face Oculta")

Vieira da Silva, ministro da Economia, da Inovação e do Desenvolvimento, aludiu a espionagem política sobre o primeiro-ministro a propósito do caso de corrupção "Face Oculta".
Hoje, o ministro (repito, o ministro) disse que «as minhas afirmações foram claras, afirmações das quais não tenho nenhuma razão para acrescentar ou retirar nenhuma sílaba».
Entre os socialistas, tudo parece normal.

Há três meses, quando um assessor (repito, um assessor) do Presidente da República alegadamente assumiu a possibilidade do Palácio de Belém estar sob escuta, caíu "o Carmo e a Trindade".
Sucederam-se as declarações inflamadas de altos quadros do PS. Lembram-se da "figura" que fizeram José Junqueiro e outros?...
(Ainda ontem um vice-presidente da bancada parlamentar disse-se estupefacto com a manutenção de um assessor na equipa de Cavaco Silva.)

Perante tal dualidade de comportamentos (e um, repito, é ministro, enquanto o outro era mero assessor) sou levado a crer que esta é a tal ética republicana e socialista que enche a boca de tantos "notáveis" do PS.

PS - Eles pensam que a malta é tão burra que não percebe. Coitados deles.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Contra a corrupção, marchar, marchar

Para mim, renovar é trazer para a política pessoas com vida e profissão, que tenham conhecido dificuldades, desilusões, derrotas, perdas, que sejam mais de carne do que de plástico. Há cada vez menos gente assim na política, à medida que nos partidos as jotas funcionam como incubadoras de carreiras semiprofissionais e profissionais de política. Elas implicam quase sempre baixa qualificação profissional, cursos de segunda, pouca experiência profissional e vidas que rapidamente acedem a regalias e prebendas que separam os que as recebem do comum dos cidadãos e dos seus companheiros de geração. Quem entra para assessor numa autarquia, ou para deputado, sem ter tido profissão, tende a ficar preso pela sua falta de qualificações e saída profissional. Os aparelhos partidários estão cheios de gente assim, que gere obediências e sindicatos de voto, a quem não se conhece um "não" que os afaste por consciência de qualquer lugar.
(...)
Por exemplo, para mim, renovar significa escolher pessoas que mostrem ter uma intransigência grande com a corrupção. Não basta serem honestas e sérias, o que muita gente é na política. É preciso ir mais longe, dada a natureza do meio e das suas tentações, é preciso não pactuar com quem seja menos honesto. Embora este seja um terreno difícil, a "ética republicana" como queria Pina Moura não é apenas a lei e os prevaricadores não são apenas os culpados em tribunal. É necessário que nos partidos políticos haja cada vez mais gente que não ajuda, promova, seja indiferente com quem abusa do seu lugar, quem enriquece sem explicação, quem serve o contínuo tráfego de influências que passa pela política.

(excertos de um texto de Pacheco Pereira, que vale a pena ler na íntegra)

sexta-feira, 29 de maio de 2009

sábado, 9 de maio de 2009

Por onde anda Vital Moreira?

Nesta época de "choque tecnológico", distribuição gratuita de Magalhães (que já aparecem na Feira da Ladra...) e outras tentativas que tais de distrair o povo do que é essencial, fiz um exercício que qualquer pessoa pode fazer com facilidade: entrei no "Google Notícias" e escrevi o nome de "Vital Moreira".
Sabem qual foi o resultado?
Este: há mais de 48 horas que o candidato socialista não profere qualquer declaração política!
Que se passará com Vital Moreira? Por onde andará?
Apetece comentar, utilizando uma linguagem político-militar, que Vital Moreira está "desaparecido em combate".

* * * * * * *

Mas as originalidades socialistas não se ficam por aqui.
O "Jornal de Notícias" publica hoje o seguinte texto: «Elisa Ferreira: "Sinceramente eu quero vir para o Porto" - Elisa Ferreira diz que tudo fará para que o Porto seja uma cidade onde as pessoas se sintam bem. Apela a uma grande mobilização em torno da sua candidatura. E promete que só vai ao Parlamento Europeu "dar o nome".»
Aqui está uma situação de engano para os eleitores. Confessada publicamente e tudo!

* * * * * * *

Lembrei-me agora de escrever aqui uma interrogação que há muito baila no meu pensamento: se um candidato político prometer uma coisa e depois fizer outra, os cidadãos não o podem processar criminalmente? Por burla, evidentemente.

quarta-feira, 4 de março de 2009

José Sócrates, o Cristo da política portuguesa

Por João Miguel Tavares (*)

Ver José Sócrates apelar à moral na política é tão convincente quanto a defesa da monogamia por parte de Cicciolina. A intervenção do secretário-geral do PS na abertura do congresso do passado fim-de-semana, onde se auto-investiu de grande paladino da "decência na nossa vida democrática", ultrapassa todos os limites da cara de pau. A sua licenciatura manhosa, os projectos duvidosos de engenharia na Guarda, o caso Freeport, o apartamento de luxo comprado a metade do preço e o também cada vez mais estranho caso Cova da Beira não fazem necessariamente do primeiro-ministro um homem culpado aos olhos da justiça. Mas convidam a um mínimo de decoro e recato em matérias de moral.

José Sócrates, no entanto, preferiu a fuga para a frente, lançando-se numa diatribe contra directores de jornais e televisões, com o argumento de que "quem escolhe é o povo porque em democracia o povo é quem mais ordena". Detenhamo-nos um pouco na maravilha deste raciocínio: reparem como nele os planos do exercício do poder e do escrutínio desse exercício são intencionalmente confundidos pelo primeiro-ministro, como se a eleição de um governante servisse para aferir inocências e o voto fornecesse uma inabalável imunidade contra todas as suspeitas. É a tese Fátima Felgueiras e Valentim Loureiro - se o povo vota em mim, que autoridade tem a justiça e a comunicação social para andarem para aí a apontar o dedo? Sócrates escolheu bem os seus amigos.

Partindo invariavelmente da premissa de que todas as notícias negativas que são escritas sobre a sua excelentíssima pessoa não passam de uma campanha negra - feitas as contas, já vamos em cinco: licenciatura, projectos, Freeport, apartamento e Cova da Beira -, José Sócrates foi mais longe: "Não podemos consentir que a democracia se torne o terreno propício para as campanhas negras." Reparem bem: não podemos "consentir". O que pretende então ele fazer para corrigir esse terrível defeito da nossa democracia? Pôr a justiça sob a sua nobre protecção? Acomodar o procurador-geral da República nos aposentos de São Bento? Devolver Pedro Silva Pereira à redacção da TVI?

À medida que se sente mais e mais acossado, José Sócrates está a ultrapassar todos os limites. Numa coisa estamos de acordo: ele tem vergonha da democracia portuguesa por ser "terreno propício para as campanhas negras"; eu tenho vergonha da democracia portuguesa por ter à frente dos seus destinos um homem sem o menor respeito por aquilo que são os pilares essenciais de um regime democrático. Como político e como primeiro-ministro, não faltarão qualidades a José Sócrates. Como democrata, percebe-se agora porque gosta tanto de Hugo Chávez.


(*) Jornalista - jmtavares@dn.pt; in "Diário de Notícias" de ontem
COMENTÁRIO SIMPLES: Brilhante!

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Portugal vergonhoso

Aqui está um artigo com conta-peso-e-medida. Intitula-se "A vergonha de não ter vergonha na cara" e é da autoria do jornalista João Miguel Tavares.
Foi publicado há três semanas (18 de Novembro) no "Diário de Notícias", mas só agora o encontrei.
Aconselho vivamente a leitura.

Eis três excertos, para aguçar o apetite.

«Há quatro anos, o administrador do Banco de Portugal Manuel Sebastião foi procurador do administrador do Banco Espírito Santo Manuel Pinho na compra de um prédio em Lisboa. Esse prédio era propriedade do Banco Espírito Santo, tendo Manuel Sebastião servido de intermediário numa compra entre o BES e um administrador do BES.»

«Só que José Sócrates não ficou por aí. E acrescentou também não ter encontrado "nada que seja criticável do ponto de vista ético". Ora, isto são declarações absolutamente vergonhosas, e só mesmo por vivermos num país onde a mentira na política é aceite com uma espantosa tolerância é que um primeiro-ministro pode dizer uma barbaridade destas e sair de mansinho.»

«Se José Sócrates encontrasse um dos seus ministros a tentar arrombar um cofre com um berbequim diria aos jornais que ele estava só a apertar um parafuso. Afinal, também no caso da sua licenciatura o primeiro-ministro não viu nada de eticamente duvidoso nem de moralmente reprovável.»

quarta-feira, 12 de março de 2008

Sem papas na língua!

«Voltando à foto da mulher do presidente Costa. O que estava em causa não era ela ser mulher de, mas ser mulher do número dois do PS. O que estava em causa não era o senhor fulano de tal ir às putas, o que esteve em causa era o senhor fulano de tal ser governador de Nova York e nessa condição ter tido uma posição de justiceiro contra os pequenos crimes. O que estava em causa não era um engenhocas beirão nos anos 80 andar a assassinar projectos para amealhar uns cobres para o futuro dos filhos, o que estava em causa é que esse pândego acabou em primeiro-ministro e até criou um programa para acabar com os patos bravos como ele o tinha sido.»

Luiz Carvalho, no "Instante fatal" de leitura diária obrigatória.

terça-feira, 6 de março de 2007

A frase


(in "Expresso")