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sexta-feira, 28 de março de 2008

O caso do telemóvel (ou da bandalheira na sala de aulas)

«A mãe de Patrícia deslocou-se ontem de manhã ao conselho executivo da Carolina Michaëlis, onde ficou a conhecer a conclusão do processo disciplinar movido a filha. Entrou pela porta principal, sem falar à comunicação social, e saiu pelas traseiras sem os jornalistas se aperceberem. Agora, pede para não ser revelado o nome do estabelecimento de ensino para onde será transferida a aluna: "Se descobrem as escola, a minha filha será martirizada outra vez".»
(in "Diário de Notícias" de hoje)

COMENTÁRIO 1 - Ao 2.º dia de aulas saber-se-á, com toda a certeza, a nova escola da Patrícia. Só quem não sabe como é uma escola (e como são os jovens, etc., etc.) pode pensar o contrário.

COMENTÁRIO 2 - Continua a faltar o esencial. Ainda não vi escrito que a Patrícia foi pedir, pessoalmente, desculpas à professora que violentou.

quarta-feira, 26 de março de 2008

Bandalheira (II)

Uma professora é motivo de troça por parte de um grupo de alunos que gritam e interrompem constantemente a aula. A docente não reage perante o cenário.

Veja o video aqui. Notícia no "site" do Expresso.

quinta-feira, 20 de março de 2008

Bandalheira

O vídeo da vergonha; aqui.

«Ao primeiro toque, o telemóvel deveria voar pela janela e o seu proprietário ser posto na rua. Depois, como no caso visionado, o energúmeno levaria duas competentes bofetadas no focinho só podendo sair da sala com elas bem dadas. Finalmente, e caso tivesse pais ou gente "responsável" pela sua educação, estes seriam informados da expulsão do estúpido monstro ou, no mínimo, da sua suspensão. A escola pública não serve para apascentar porcinos e porcinas.»

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Vergonha!

Passar de ano sem ir às aulas
O Estatuto do Aluno foi ontem aprovado pelos deputados da Comissão de Educação, com os votos favoráveis do PS. A versão final, que acolhe uma proposta do PSD, continua a deixar aberta a possibilidade de os alunos poderem passar de ano sem frequentar as aulas, bastando para tal ter aprovação nas provas de recuperação, a realizar por quem atinja o limite de faltas.
(in “Correio da Manhã”)

O MEU COMENTÁRIO – Aqui está uma medida bem ao estilo socialista: faltar às aulas e... seguir em frente! Ao que nós chegámos... Pobre Portugal!

COMENTÁRIOS NO “SITE” DO CORREIO DA MANHÃ:

«Esta notícia deixa-me absolutamente aterrada!!! QUE VERGONHA!!!!» (C. G.)

«... e depois, estes jovens crescem habituados a faltar às aulas. Arranjam emprego e pensam que o patrão, tal como a escola, está para aturar as faltas injustificadas, mas não, vem o desemprego... Pobre povo que nunca mais aprendes, por culpa dos maus governantes!» (J.)

«E assim este maravilhoso governo alcançará mais um objectivo cosmético, como aliás a maioria dos que alcança. O número de jovens nas escolas aumentará e o número de miudos sem sequer saber ler e escrever tambem. 12.º ano para todos!!! Assim é que é. Vamos ser o país com a maior taxa de sucesso de sempre... nas estatísticas. Claro.» (C. C.)

«Já Poinsard escreveu em 1910 que os portugueses tinham uma superior qualidade como pessoas, mas não funcionavam por causa da falta de educação do carácter. Estas medidas promovem a desorganização do indivíduo, a falta de autodisciplina, e a inconsistência no comportamento. Em resumo, promovem a má educação.» (A. S.)

quarta-feira, 17 de janeiro de 2007

Futebol jovem: assim, sim!

O prometido é devido. Por isso, trago aqui duas histórias de que tomei conhecimento no domingo passado, em Alcochete. Uma de cada clube.

Sporting e U. Leiria têm equipas de juvenis que já são... “selecções”! O Sporting tem uma selecção nacional, com jogadores de praticamente todo o país: há jovens do Algarve, de Trás-os-Montes, das Beiras, etc. A U. Leiria, com meios modestos, tem jovens atletas das redondezas, mas também eles a viverem longe das famílias.
Em ambos os casos, os dirigentes desportivos têm de assumir a sua função com especiais cuidados na vertente formativo-educativa.
Nem poderia ser de outro modo.

CASO 1
Todos os dias, o jogador era levado à porta da escola por um responsável do clube. Chegado o final do 1.º período, verificou-se que o jovem tinha um considerável número de faltas às aulas.
(Ou seja, o jovem entrava na escola, mas depois...)
Decisão imediata: abandono do clube, com regresso à casa paterna.
Comentário de alguém que o conhecia bem: “É uma pena que tenha ido embora. Era o melhor jogador da equipa!”.

CASO 2
Terminado o 1.º período de aulas, os responsáveis do clube quiseram conhecer as avaliações escolares. E rapidamente concluíram que vários jogadores estavam com dificuldades a Matemática.
Decisão imediata: contratar uma explicadora, a expensas do clube, para ajudar os jovens jogadores a superar o problema.
As explicações começaram na passada segunda-feira, dia 15.

* * * * * *

Há anos que defendo que o futebol jovem (dito, até, de formação) deve dar especial atenção à escola, para defesa dos próprios atletas, muitos deles inebriados pelo brilho das grandes “estrelas da bola” que sonham um dia também ser.
Um jovem que veja existir articulação entre a escola e o clube, os resultados escolares e a prática desportiva, sentir-se-á mais motivado para tentar ser melhor estudante e melhor jogador.

Ao longo dos anos, tenho sido uma voz praticamente solitária, criticado até. Mas continuo convencido que este é o único caminho possível.
Sofro quando me informam que um jovem de 16 anos diz aos pais que não quer estudar porque pretende ser profissional de futebol. E sofro porque é fácil prever o que o futuro lhe pode reservar.

Um dia, no tempo em que as selecções jovens portuguesas de futebol ganhavam tudo o que havia para ganhar, um jornalista estrangeiro desabafou: “Vocês ganham tudo nestas idades, porque os nossos jovens estão na escola, a estudar, enquanto os vossos só jogam à bola”. Era (é) verdade.
E acrescentou: “Vamos ver o que é que vocês ganham quando chegarem a seniores”.
Na realidade, Portugal já foi campeão europeu e mundial... em jovens. Nos mais crescidos, nada.

* * * * * *

A terminar, apenas uma “nota de rodapé”: se há clube vocacionado para este trabalho de acompanhamento da realidade escolar dos atletas é a Académica, por toda a história, todo o simbolismo, toda uma filosofia e cultura “sui generis”.
No entanto, isso não acontece em Coimbra.
Felizmente, há clubes que pensam de maneira diferente.

Alcochete, domingo de manhã, do outro lado da vedação da Academia do Sporting...