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sexta-feira, 16 de abril de 2010

Escândalos em cromos

A "Visão" tem habitualmente muitos motivos de interesse. O maior, para mim, é a crónica de Ricardo Araújo Pereira. É por isso que começo sempre a leitura da revista pela última página.

O texto de ontem é verdadeiramente antológico. Versa sobre os escândalos em Portugal e nele RAP sugere que se publique uma colecção de cromos. Temas não faltam: Freeport, Universidade Independente, escândalo PT/TVI... "Escândalos de Portugal - Uma Caderneta de Cromos" é o título proposto. Eu compro.

(clique na imagem para ampliar)

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Prisões, precisam-se!

«Se algum dia surgir uma vaga de fundo para limpar o nosso país (hipótese utópica...) e a Justiça funcionar, será que haverá instalações prisionais em número suficiente?» (lido na Net)

Limpeza geral, precisa-se


Será que deste título, da capa do "Público" de hoje, se pode concluir que andam todos a roubar?

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Escutas


Sugestão do dia: entre no YouTube e escreva, no campo de pesquisa, "escutas Pinto da Costa".
Boa tarde.

sábado, 28 de novembro de 2009

Susan Boyle em vez da corrupção

Valha-nos Deus! O país está transformado num enorme pântano, sendo praticamente impossível identificar referências ético-morais. Olhamos para um lado, olhamos para o outro, e o que vemos é gente sem princípios, sem valor, um "vale-tudo" que enoja até a mais calma das pessoas.
Olho para eles - sejam titulares de grandes fortunas ou de altos cargos, distribuidores de prebendas ou meros patifes que deveriam estar na prisão - como aquilo que são: gente reles.
É por isso que, cada vez mais, evito estar em sítios mal frequentados. E para não correr riscos de "encontros indesejados", fico-me pela pacatez da minha vida e da minha casa. Assim, sei que não irei encarar "figurões" e patifes. E vivo feliz.

As notícias deste fim-de-semana continuam a ser assustadoras, revelando a promiscuidade que atravessa sectores basilares da sociedade, supostamente independentes. Coleccionei uma série de textos, publicados ontem e hoje na Imprensa, que lidos conjuntamente nos ajudam a ver o quão negro é o momento presente.
Voltámos a 1975. Estamos num PREC de características diferentes e com um sentido histórico oposto. Caminhamos a passos largos - estou convicto - para uma qualquer espécie de ditadura.

Sinto por vezes, como já aqui escrevi, a vontade de encerrar o blogue. Mas vou resistindo, porque acho que esta é também uma forma - ainda que modestíssima - de denunciar a gravidade da situação e contribuir para a "limpeza" que se torna cada vez mais urgente. Mas que duvido venha a acontecer.
Haverá quem não goste do que aqui escrevo, mas... é a vida. Como tenho por adquirido desde há muito, não nasci para ser simpático, nem hipócrita. Digo e escrevo o que penso, com a maior liberdade possível, como bem sabe quem me conhece. Não ando na vida para arranjar "amigos" de ocasião, para sorrir a quem desprezo ou para cumprimentar quem eu julgo que tem as mãos sujas. Sou humilde mas sinto-me limpo. E se assim cheguei aos 53 anos, em cada dia que passa reforço ainda mais as minhas convicções. Nunca tive apetência por luxos e honrarias, nem por "comer à mesa do Orçamento", como muitos dos que por aí andam.

Há páginas de jornal e reportagens de televisão que só não me fazem vomitar porque já estou muito traquejado. Quando essa gentinha me aparece pela frente (gente que mente com a maior desfaçatez, gente que infringe a lei e se assume como moralista, gente pequena que - por mais dinheiro que tenha ou títulos que lhes coloquem em cima - nunca conseguirá ter a estatura e a dignidade de tantas Ti Marias e Ti Antónios anónimos), escrevia que quando essa gentinha pequena me aparece pela frente opto sempre pela medida mais higiénica possível: desligar o televisor, colocar o jornal no lixo.

Talvez por tudo isto é que este blogue tem um média de visitas muito pequena, mas muito estável - são os meus amigos e mais uns poucos. Quem cá aparece "por acaso", raramente volta. Quem pensa que insulta na caixa de comentários, deixa de vir ainda mais rapidamente, porque essas opiniões vão directamente para o "caixote do lixo". [Se o blogue é meu e "dou a cara", é evidente que não tolero injúrias anónimas. Era só o que faltava... Por aqui, há decência.]

A sociedade está gravemente doente. Olho para isto e sinto dor; não por mim, que tenho uma vida construída e continuo a ter forças para trabalhar, nem que seja para pegar numa enxada e tirar da terra o sustento do dia-a-dia. Sinto dor pelos jovens - e, entre eles, os meus filhos. Que raio de país lhes vamos deixar...
Eles, a Ana e o João, sabem bem o que lhes digo desde muito pequenos: o futuro está fora daqui. De Coimbra. E de Portugal.
Há muito que intuí que os tempos vindouros serão penosos. Sem desígnio, sem projectos mobilizadores, sem elites de qualidade (como ainda ontem escreveu o director do "Sol"), com uma população activa maioritariamente funcionalizada, Portugal arrisca-se a ser no futuro - como há muito profetizou um jornalista creio que alemão num encontro ocasional em Bruxelas - apenas um "lar de terceira idade" para a classe média europeia.

Queria escrever apenas algumas linhas, entusiasmei-me e saiu isto.
Vamos ao que verdadeiramente interessa; formular os habituais votos de bom fim-de-semana, desta feita com a proposta de recordarem aqueles escassos segundos que transformaram Susan Boyle em personalidade mundial, ela que acaba de bater esta semana o recorde de pré-vendas de um cd na história da internet.
Cliquem na imagem ou aqui. E façam o favor de serem felizes.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Uma explicação para a troca de telemóveis


É a notícia do dia! «A 25 de Junho vários suspeitos do processo "Face Oculta" trocaram de telemóveis». Um alarido enorme!

Pus-me a pensar nisto e concluí que, se calhar, a coisa nem tem nada de extraordinário.
Imaginem que na véspera (24 de Junho), os "vários suspeitos" foram ao Porto assinalar o S. João. Estavam na zona da Ribeira, não necessariamente todos juntos, a almoçar ao ar livre, com os telemóveis pousados em cima das mesas, quando de repente caíu uma grande chuvada.
Como se sabe, os telemóveis não podem apanhar água...

Parece-me uma explicação plausível. Só não sei se choveu no Porto naquele dia.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Ética socialista (escutas em Belém e "Face Oculta")

Vieira da Silva, ministro da Economia, da Inovação e do Desenvolvimento, aludiu a espionagem política sobre o primeiro-ministro a propósito do caso de corrupção "Face Oculta".
Hoje, o ministro (repito, o ministro) disse que «as minhas afirmações foram claras, afirmações das quais não tenho nenhuma razão para acrescentar ou retirar nenhuma sílaba».
Entre os socialistas, tudo parece normal.

Há três meses, quando um assessor (repito, um assessor) do Presidente da República alegadamente assumiu a possibilidade do Palácio de Belém estar sob escuta, caíu "o Carmo e a Trindade".
Sucederam-se as declarações inflamadas de altos quadros do PS. Lembram-se da "figura" que fizeram José Junqueiro e outros?...
(Ainda ontem um vice-presidente da bancada parlamentar disse-se estupefacto com a manutenção de um assessor na equipa de Cavaco Silva.)

Perante tal dualidade de comportamentos (e um, repito, é ministro, enquanto o outro era mero assessor) sou levado a crer que esta é a tal ética republicana e socialista que enche a boca de tantos "notáveis" do PS.

PS - Eles pensam que a malta é tão burra que não percebe. Coitados deles.

A minha corrupção é melhor que a tua...

«O PS levantou reservas à proposta do PSD no sentido de a Assembleia da República criar uma comissão de acompanhamento da corrupção, admitindo que poderá "atropelar" competências inerentes a outras entidades.
Na sessão de encerramento das Jornadas Parlamentares do PSD, em Espinho, o líder da bancada social-democrata, José Pedro Aguiar Branco, justificou a proposta com o facto de existir em Portugal "uma crise de confiança no sistema de judicial".
"Vamos apresentar na Assembleia a iniciativa autónoma da constituição de uma comissão eventual exclusivamente destinada à recolha de contribuições, à análise dos factos e à apresentação de soluções para o combate à corrupção", justificou o líder parlamentar do PSD.
No entanto, segundo o vice-presidente da bancada do PS Ricardo Rodrigues, "é de evitar que se crie uma comissão que possua uma duplicação de funções relativamente ao Conselho Nacional da Prevenção, que funciona junto do Tribunal de Contas".
(...)
Ricardo Rodrigues referiu que o PS irá aguardar até conhecer em detalhe o projecto do PSD, "mas desde já avisa que recusará uma duplicação de funções".
"Podermos estar perante um 'fait divers' e se for isso não daremos o nosso acordo", advertiu o "vice" da bancada do PS.»

Não deixa de ser curioso que os dois maiores partidos não se entendam sobre este assunto.
Não deixa de ser curioso que o político socialista classifique o projecto como "fait-divers". Na verdade têm sido tantos os casos...

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Acordar com um sorriso

Deixem-se de tretas, de corruptos, de incompetentes, de filhos-de-boas-famílias-mas-incapazes, de cretinos, trafulhas, vendedores de banha-da-cobra e outros que tais.
Não se importem se fizer frio, chover e o vento soprar com força.
Amanhã, acordem com um sorriso e pensem que esse, o dia que já nasceu, pode ser o «primeiro dia» de uma vida nova.

Tenham um bom fim-de-semana!
E façam o favor de ser felizes.

Elegeram essa gente? Pois têm o que merecem…

«O mais deprimente é a sensação generalizada com que se fica de que Portugal está a caminho de se transformar numa república em que as bananas crescem num lodaçal. É nesses lugares que os valores se evaporam, as leis são impunemente violadas, tudo se degrada, todos os responsáveis são cúmplices e nada nem ninguém consegue evitar isso.

Mas é muitíssimo bem feito. Elegeram essa gente? Pois têm o que merecem… Assoem-se lá a esse guardanapo. Besuntem-se com o resultado. Amanhã ainda vai ser pior...»

(Vasco Graça Moura, ontem, no "DN")

Eanes: um homem que honra Portugal


Face Oculta: «Processos como este revelam que justiça não está a funcionar», afirma Ramalho Eanes

O ex-presidente da República, Ramalho Eanes, manifestou-se hoje preocupado por processos como o da Face Oculta, que considerou serem reveladores do mau funcionamento da justiça, um dos alicerces fundamentais da democracia.

«Preocupa-me fundamentalmente porque revela que um dos subsistemas fundamentais que é a justiça não está a funcionar na maneira rápida, pronta, legalmente justa», disse à Lusa em Madrid.

Ramalho Eanes falou à Lusa em Madrid onde hoje participa no "XI Congresso Católicos e Vida Pública", que decorre na Universidade San Pablo, em Madrid e onde interveio para analisar o relacionamento entre a moral e a política.

«A política não está a precisar de moral: a política é impossível sem ética. É a ética que faz com que os políticos percebam claramente qual é a sua função, qual é o trabalho que devem prestar à comunidade, qual o serviço que devem permanente prestar a sociedade civil da qual naturalmente dependem», afirmou Ramalho Eanes.

«Como dizia Cícero a forma mais perversa da corrupção é a demagogia. É impossível corromper com dinheiro um homem honrado, mas é possível corrompê-lo com a oratória», afirmou.

Ramalho Eanes considerou, ser «indispensável» que «toda a sociedade civil e todos os cidadãos participem na actividade política».
«A actividade política não é exclusiva dos líderes políticos, mas deve ser exercida por todos os cidadãos. É com a política e através da política que se escreve ou não se escreve um futuro justo», disse ainda.
(texto da agência Lusa, adaptado)

Olhar para Ramalho Eanes é ter a certeza de estar perante um homem digno, íntegro.
É um dos meus ídolos.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

País real

Enriquecimento injustificado está mais difícil de tributar.

80% dos pensionistas terá aumento máximo de oito euros em 2010.

Actual Lei penal «é demasiado permissiva para os incumpridores, que sabem que dificilmente são punidos».


Uma coisa é o que se ouve na Assembleia da República.
Outra é a realidade.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Luta anti-corrupção incomoda Sócrates?

«José Pedro Aguiar Branco, à saída do debate, notou que “o primeiro-ministro mostra um certo incómodo em falar da luta anti-corrupção”, lembrando que na última legislatura o PS não quis discutir o pacote Cravinho e as propostas do PSD nesta área, entre as quais a do enriquecimento ilícito.»

PS - corrupção - PSD

«Quando os socialistas já suspiravam de alívio por ver o caso Freeport fora das manchetes quotidianas, a investigação da Face Oculta, que só foi do conhecimento público no momento da constituição de arguidos, vem repor a intranquilidade. No meio disto tudo, há um consolo: o principal partido da oposição, o PSD, mantém-se alheado da matéria.»
(in jornal "i")

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Não me apetece escrever...

Hoje não me apetece escrever sobre o preço dos medicamentos em Portugal e noutros países europeus. [Aconselho a ler o comentário da mensagem anterior...]
Nem me apetece falar das qualidades da consciência num tempo em que muita gente se afirma «de consciência tranquila».
Nem do escândalo que é o silêncio dos partidos políticos sobre os últimos casos de corrupção que vieram a público.
Nem me apetece escrever sobre aqueles que dizem que «à justiça o que é da justiça, à política o que é da política». Reles conceito este, porque é a política que estabelece as regras da justiça e porque a defesa de valores como a honra, a verdade, o cumprimento escrupuloso das obrigações e a defesa dos interesses do Estado (nós todos, afinal) é dever de qualquer "agente político" - do mais pequeno ao mais importante de todos.
Não, não me apetece escrever.

Fico-me a ouvir esta canção, que encontrei há bocado no YouTube e que fez as delícias da rapaziada do meu tempo.
Tenham uma boa noite.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

O meu país

«País TRISTE e VERGADO. Isto é o que penso e não digo mais nada. Aonde está o meu país?»
(texto/desabafo encontrado na Net)

sábado, 31 de outubro de 2009

E vai outro!

«Um engenheiro da Câmara Municipal do Porto foi hoje suspenso de funções pelo Tribunal de Instrução Criminal do Porto, depois de ontem ter sido detido pela Polícia Judiciária em flagrante delito a pedir mais de 300 mil euros a responsáveis de uma empresa que prometia beneficiar num concurso para a manutenção e instalação de semáforos da cidade.»
(in "Público")

Isto está mesmo tudo podre.
E quando leio notícias destas lembro-me sempre daquela religiosa do Porto que cumpriu pena de prisão por viajar num autocarro sem bilhete.
Assim é que é.

«Só sei, como sabe, ou desconfia, a maioria dos portugueses, que o regime se tornou numa enorme rede de corrupção.»
(Vasco Pulido Valente, hoje, no "Público")

clique na imagem para ampliar

Sucata de regime

«Isto é tudo tão mau, tão incessantemente mau, que até o regime se confunde com sucata e sucata com o regime.»
(João Gonçalves, no "Portugal dos Pequeninos")

Corrupção (pergunta do dia)

Porque é que os partidos políticos ficam tão calados perante os casos de corrupção?