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sábado, 18 de abril de 2009

Crise cá e lá

Não há nada como dar uma saltada a Espanha e comprar alguns jornais e revistas para tomar consciência da realidade portuguesa.
Antes da crise, Portugal crescia menos do que a Espanha.
Agora, em plena crise, Portugal desce mais do que a Espanha.

Isto é tão simples que não compreendo como é que há quem não perceba.

quarta-feira, 4 de março de 2009

José Sócrates, o Cristo da política portuguesa

Por João Miguel Tavares (*)

Ver José Sócrates apelar à moral na política é tão convincente quanto a defesa da monogamia por parte de Cicciolina. A intervenção do secretário-geral do PS na abertura do congresso do passado fim-de-semana, onde se auto-investiu de grande paladino da "decência na nossa vida democrática", ultrapassa todos os limites da cara de pau. A sua licenciatura manhosa, os projectos duvidosos de engenharia na Guarda, o caso Freeport, o apartamento de luxo comprado a metade do preço e o também cada vez mais estranho caso Cova da Beira não fazem necessariamente do primeiro-ministro um homem culpado aos olhos da justiça. Mas convidam a um mínimo de decoro e recato em matérias de moral.

José Sócrates, no entanto, preferiu a fuga para a frente, lançando-se numa diatribe contra directores de jornais e televisões, com o argumento de que "quem escolhe é o povo porque em democracia o povo é quem mais ordena". Detenhamo-nos um pouco na maravilha deste raciocínio: reparem como nele os planos do exercício do poder e do escrutínio desse exercício são intencionalmente confundidos pelo primeiro-ministro, como se a eleição de um governante servisse para aferir inocências e o voto fornecesse uma inabalável imunidade contra todas as suspeitas. É a tese Fátima Felgueiras e Valentim Loureiro - se o povo vota em mim, que autoridade tem a justiça e a comunicação social para andarem para aí a apontar o dedo? Sócrates escolheu bem os seus amigos.

Partindo invariavelmente da premissa de que todas as notícias negativas que são escritas sobre a sua excelentíssima pessoa não passam de uma campanha negra - feitas as contas, já vamos em cinco: licenciatura, projectos, Freeport, apartamento e Cova da Beira -, José Sócrates foi mais longe: "Não podemos consentir que a democracia se torne o terreno propício para as campanhas negras." Reparem bem: não podemos "consentir". O que pretende então ele fazer para corrigir esse terrível defeito da nossa democracia? Pôr a justiça sob a sua nobre protecção? Acomodar o procurador-geral da República nos aposentos de São Bento? Devolver Pedro Silva Pereira à redacção da TVI?

À medida que se sente mais e mais acossado, José Sócrates está a ultrapassar todos os limites. Numa coisa estamos de acordo: ele tem vergonha da democracia portuguesa por ser "terreno propício para as campanhas negras"; eu tenho vergonha da democracia portuguesa por ter à frente dos seus destinos um homem sem o menor respeito por aquilo que são os pilares essenciais de um regime democrático. Como político e como primeiro-ministro, não faltarão qualidades a José Sócrates. Como democrata, percebe-se agora porque gosta tanto de Hugo Chávez.


(*) Jornalista - jmtavares@dn.pt; in "Diário de Notícias" de ontem
COMENTÁRIO SIMPLES: Brilhante!

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Causas imateriais da crise

por Henrique Monteiro

Oficialmente, esta crise deve-se a crimes e asneiras do sistema financeiro motivados sobretudo por excesso de mercado e falta de regulação. Não há discurso que não o afirme.
Longe de mim negar tais causas, embora, por natureza, desconfie que hecatombes desta dimensão se fiquem apenas a dever a uma ou duas causas. Do meu ponto de vista, a crise resulta de muito mais cambiantes e variantes, como, aliás, todas as crises que historicamente atravessámos.
Curiosamente, muito se fala da crise de valores, mas pouca importância se lhe atribui quando se trata de analisar a falta de confiança dos mercados, as falências e o desemprego. E, no entanto, a crise de confiança é ela própria uma parte da crise dos valores. Sem valores seguros - como a probidade, a justiça, a temperança, a palavra, a prudência - não há confiança.
O sistema financeiro, sendo responsável por parte dessa quebra de confiança, foi também ele próprio vítima de uma ideologia dominante que pouca ou nenhuma atenção deu a estes valores tradicionais. Aliás, veja-se como na arte, nas ciências sociais, na comunicação, a ideia de virtude foi sendo abandonada em favor de conceitos a que chamámos pós-modernos.
Ao mesmo tempo que o relativismo negava uma verdade exterior a nós, para a colocar dependente do observador e em plano equivalente a outros valores, as principais âncoras da nossa sociedade eram arrancadas. O politicamente correcto, espécie de ditadura da linguagem, juntou-se com ideias generosas mas insustentáveis de que os direitos são inalienáveis e prevalecem sobre os deveres, que no geral se resumem ao pagamento (se tal não puder ser evitado) de impostos.
Conceitos como aforro ou caridade quase acabaram, assim como a ideia de que as recompensas se obtêm após um tempo alargado de esforço; na nossa sociedade as recompensas têm de ser imediatas, assim como na economia.
A filosofia, a arte e parte das ciências (sobretudo as ciências sociais) deixaram de reflectir a realidade, para reflectirem reflexões, num jogo infinito e cada vez mais distante do homem. Ao mesmo tempo, as construções naturais - da família à sexualidade - foram consideradas meras preferências ou opções e, em consequência, substituíveis por modelos diferentes.

Estas ideias inundaram as universidades, os meios de comunicação, as conversas bem pensantes e estabeleceram um sistema do qual é difícil, perigoso e não recompensador discordar.
Não foi só o sistema financeiro que contribuiu para esta crise.
Assim como não basta refazê-lo para que a crise termine.

(clique na imagem para ampliar)

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Crise económica e crise ético-moral

A corrupção está na ordem do dia.
Os casos suspeitos são mais do que muitos, envolvendo decisores de vários níveis.
E os portugueses como que já se habituaram a viver no pântano, sendo escassas as vozes que se levantam contra este "lado negro" da sociedade.

Nos partidos políticos contam-se pelos dedos de uma mão as vozes que denunciaram pública e frontalmente o "polvo" que consome parte importante dos escassos recursos do país.
Por medo ou por conveniência? Por falta de cultura democrática ou por ausência de valores?

À crise económica junta-se assim, pelo menos em Portugal, uma crise ético-moral ainda mais profunda. O que não augura nada de bom.

É tempo de levantar a voz e - como diz o Povo - «chamar os bois pelos nomes».
Denunciar os negócios suspeitos, as promoções por amiguismo, os concursos "à medida", as nomeações clientelares, as escolhas dinásticas... é um direito de qualquer cidadão.
Mais do que um direito, é um dever.

Recentemente, um deputado afirmou que Portugal vivia em «claustrofobia democrática».
Penso que o mal é mais profundo: Portugal vive uma grave crise de valores.
E faltam Homens (sim, homens com agá maiúsculo).

*********
(anexo)
Acabo de ouvir na televisão que José Sócrates votou hoje na Covilhã, na eleição interna em curso no Partido Socialista.
Aposto singelo contra dobrado, que ninguém questionará nos meios de comunicação social este simples facto: votou na Covilhã porquê?
Reside na Covilhã? Faz política na Covilhã? Trabalha na Covilhã?

São situações como esta que destroem a credibilidade de qualquer sistema, transmitindo aos cidadãos que tudo é possível.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Gala


Realizou-se ontem à noite a "Gala do Desporto", uma iniciativa da Câmara Municipal de Coimbra.
Homenagear os melhores é questão de justiça.

Justíssimo foi o troféu entregue ao César Pegado, a distinguir uma vida inteira dedicada ao desporto – com qualidade, com alegria e com espírito de voluntariado.

Teve mais dinâmica a "Gala" deste ano.
Mas nem por isso foram evitadas várias "gaffes", a principal das quais foi a entrega do prémio da Associação Distrital de Judo de Coimbra a um dirigente da... ACM.

****

PS – Ao jantar conversou-se sobre muita coisa. A certa altura disse da minha convicção quanto a um inevitável forte "abanão social", dada a crise em que vivemos. Uma crise profunda, a vários níveis. Como já é habitual, fui acusado de "pessimista". Hoje de manhã vejo que Mário Soares escreve no "Diário de Notícias" o seguinte: «Oiçam-se as pessoas na rua, tome-se o pulso do que se passa nas universidades, nos bairros populares, nos transportes públicos, no pequeno comércio, nas fábricas e empresas que ameaçam falir, por toda a parte do País, e compreender-se-á que estamos perante um ingrediente que tem demasiadas componentes prestes a explodir.» Está visto que Mário Soares é um pessimista.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Magalhães, SIC e "Hora da Verdade"

Parece que a SIC está preocupada com a possibilidade de os pequenos utilizadores do computador Magalhães poderem escrever «vagina» no Google e se depararem com «coisas pouco recomendáveis a crianças de seis anos».
(...)
Quanto a mim, é muito mais preocupante deixar os meus filhos com o comando da televisão na mão porque podem encalhar precisamente na SIC. Neste canal é também bastante fácil apanharem-se «coisas pouco recomendáveis a crianças de 6 anos».
(in "Bitaites")

O texto de onde retirei este fragmento, intitulado "Quando as putas dão lições de moral", merece ser lido na íntegra.

PS 1 – Isto da moral é tramado. Não é qualquer um que pode chamar a si o papel de "guardião da moral e dos bons costumes". Ainda hoje, ao ler um dos diários da cidade, não pude deixar de sorrir.

PS 2 – Ainda não vi o novo programa da SIC. Nem penso ver, apesar da trovoada de domingo passado ter avariado a antena parabólica lá de casa. Nem assim.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Portugal ao fundo

A crise moral que grassa no país é cada vez mais evidente.

Já ninguém escapa.
A crise engole até alguns daqueles que deveriam garantir as regras mínimas de ética – mesmo que fosse a tão falada "ética republicana", que nunca percebi efectivamente o que seja... – na vida colectiva.

Basta dar uma olhadela a meia dúzia de blogues e ver o que pensa uma parte do povo português sobre o que acontece cá na terra.

O meu país, Portugal, está mesmo a tornar-se num sítio mal frequentado.