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sexta-feira, 5 de março de 2010

quinta-feira, 4 de março de 2010

As acusações de Pinto Balsemão


A audição de Manuela Moura Guedes, ontem, no Parlamento, está hoje nas primeiras páginas de todos os jornais. A jornalista fez acusações graves e o destaque é justificado.

No entanto, uma intervenção muito mais profunda, a de Francisco Pinto Balsemão, passa quase despercebida.
E porquê?... Porque Balsemão começou a ser inquirido já depois das 18h00 e nessa altura os "media" têm de apressar as edições da noite (no caso das televisões) e do dia seguinte (no caso dos jornais). E como já havia noticiário em quantidade suficiente (Manuela Moura Guedes foi pródiga nas revelações/acusações), a audição do dono do "Expresso" foi relegada para segundo plano.

Noutras circunstâncias, as palavras de Pinto Balsemão teriam muito maior impacto.

Atentem só no que ele disse, segundo relata Paulo Chitas na "Visão on-line":
«O presidente do Conselho de Administração da Impresa (proprietária da SIC, Expresso e VISÃO), começou o depoimento por ilustrar dois cenários possíveis. Um, que considerou um "plano conspirativo, muito bem concebido", passaria por 10 pontos: 1) a produção de legislação (que enfraqueceria os grupos privados e fortaleceria os públicos), 2) a compra da TVI pela PT, 3) o controlo da Impresa pela Ongoing, 4) a compra do Correio da Manhã (lembrou que se chegou a falar num valor de 140 milhões de euros) e 5) do grupo Controlinvest (detentor do DN e do JN), 6) o controlo da RTP e RDP, 7) o controlo da Lusa, de que o Estado é o maior accionista, 8) o lançamento de um 5º canal generalista, em sinal aberto, 9) o adiamento do TDT paga, 10) e o fecho do semanário Sol. O outro, a que chamou o "cenário do acaso e da incompetência", passaria pelos mesmos pontos, mas a sua concretização, parcial ou total, não seria inspirada pelas mesmas intenções.

Balsemão acabaria por defender que vários pontos do plano "conspirativo" se concretizaram. O patrão da Impresa disse ainda que publicaria a crónica de Crespo, afirmou que assistira a várias peças jornalisticamente competentes no Jornal de Sexta, embora não se reconhecesse no seu estilo, e considerou que a PT não teria avançado para a compra da TVI sem o conhecimento do Governo. Criticou ainda o excesso de poderes da Entidade Reguladora para a Comunicação Social, defendeu o papel dos conselhos de redacção e disse que o "público é o grande aliado do jornalismo de qualidade".»

Um (arrasador) libelo acusatório.
Só não perceberá quem não quiser.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

A decisão do JN

«(...) "Jornal de Notícias" podia ter decidido não publicar o texto de Mário Crespo com base no princípio de defesa da privacidade e das regras do jornalismo. Tal decisão seria, no entanto, invulgar, já que se tratava de um texto de opinião e não de um trabalho jornalístico. Mais: para tal decisão ser tomada, ela teria de corresponder a regras que fossem seguidas de forma escrupulosa pelo jornal. Não é o caso. O "JN" já tornou públicas conversas privadas e até o conteúdo de cartas anónimas. Ou seja, o "JN" exigiu a um colunista externo o que nem sempre exige na sua própria casa
(Daniel Oliveira, no "Expresso")

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

domingo, 22 de novembro de 2009

sábado, 7 de novembro de 2009

Medina Carreira: homem brilhante



Admiro este homem.
Quando falo nele junto de algum político (ou "candidato-a-político"), respondem-me logo que é um pessimista, um tremendista. Ainda bem que o é: a situação do país é tremendamente perigosa. E ele denuncia-a; não tem "papas na língua".

Acredito, aliás, que o progresso surge dos pessimistas e não dos optimistas, surge dos que criticam e não dos que aplaudem, surge dos insatisfeitos e não dos satisfeitos.
Se não houvesse insatisfeitos, ainda hoje a roda seria quadrada (como foi...), porque mesmo quadrada já serviria muito bem.

É a velha opção: escolher o caminho difícil da vida ou optar pelo "carreiro" mais fácil.

* * * * *
Hoje, ao navegar sem destino pela internet, encontrei esta entrevista de Medina Carreira ao Expresso, há cerca de 15 dias.
Transcrevo algumas frases com as quais me identifico.


«Enquanto não vir gente capaz de tomar conta deste país, sou incómodo. Quando olho para os partidos, para estes dirigentes, não posso ser outra coisa.»

«Se me derem uma hora na televisão, viro muita gente do avesso! O problema é que a gente que precisa de ser virada não o quer ser. Este sistema de vida é bom para eles.»

«Presumo que seja incómodo. A mim não me convidam para ir à RTP, por exemplo.»

«As nossas escolas são fábricas de analfabetos. No meu tempo, os alunos com a 4.ª classe davam menos erros do que alguns ministros agora.»

«O problema da Educação é simples. Primeiro tem de haver ordem nas escolas, programas feitos com gente com cabeça e não por semi-analfabetos.»

«Aquilo que quero é tentar levar as pessoas a perceber os caminhos que trilham, fazer um pouco de pedagogia. Fazê-las entender que estão a ser burladas. O país não pode continuar a ser dirigido por trafulhas.»

«Eu defendo o presidencialismo, mesmo que seja por 15 ou 20 anos. Os partidos precisavam de sossego para se arrumarem e arranjarem gente menos ambiciosa, menos amante do dinheiro alheio.»

«Em Portugal, nos últimos 40 anos, deixou de se produzir pesca, agricultura, minas e indústria. Hoje, os serviços representam 70%. Se não mudarmos a estrutura produtiva, reforçando o sector primário e o industrial, não conseguimos vencer estas dificuldades económicas.»

«Portugal é o país dos achadores. Toda a gente acha. Liga-se a televisão e ouve-se toda a gente a achar.»

«A escola inclusiva é uma vigarice. Põem lá a tropa toda. Como todos somos diferentes, há uns que querem estudar e outros não. Há uns que são capazes e outros não. Quem não aprende não faz sentido lá estar. (...) Isto de todos serem iguais é uma trafulhice.»

«Se eu quisesse falar como o resto da malta tinha aqui o escritório cheio, de auto-estradas, de aeroporto, como os outros têm.»

«Vivemos num mundo muito estranho. Um dia destes fui comprar o jornal e estava uma pequena de 8 anos ao meu lado. Fiz-lhe uma festa na cabeça e perguntei-lhe como se chamava. Respondeu que tinha ordem dos pais para não falar a estranhos. Agora fujo dos miúdos, senão qualquer dia o Rui Teixeira põe-me na choça...»

«[Qual é o seu jogador preferido?] O Messi, porque é um grande jogador e um tipo modesto. Não gosto do Cristiano Ronaldo, porque é um grande jogador e um tipo insuportável. Mesmo um sábio, um compositor, um génio tem de ser modesto. A imodéstia é um sintoma de estupidez.»

«Quando aparece o Sócrates na televisão, eu mudo de canal. Para espectáculo, vou ao circo.»

«Custa-me ver que a classe política não quer julgar os crimes da corrupção, porque não lhes convém, é uma defesa corporativa. Não nos podemos fiar num certo tipo de pimpões que andam por aí...»

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Recortes do dia

Blogue "31 da Armada"


"Sol" de hoje

"Correio da Manhã" de hoje

"Expresso" de hoje

"Sol" de hoje

clique nas imagens para ampliar

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Ser de... Esquerda


Pormenor da capa do "Expresso" de amanhã

Aqui está um bom exemplo da coerência de uma certa Esquerda.
Como eu os conheço... - habituei-me a conviver com esta duplicidade desde 1975.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Um texto fundamental

Leio habitualmente os "editoriais" de Henrique Monteiro, o director do Expresso. Por vezes, terminada a leitura, apetece-me dar-lhe os parabéns.

No último sábado, sentado frente ao mar, li um dos mais brilhantes. O texto, intitulado "A 'célebre' asfixia democrática", já está disponível no "site" do jornal.

Ao mesmo tempo que aconselho vivamente a leitura, deixo aqui alguns excertos.

«Há uma 'asfixia democrática' como diz Manuela Ferreira Leite? Há, sem dúvida! Mas já havia no tempo de Durão, de Cavaco, no de Soares e em todos os tempos. O que asfixia a democracia é o peso do Estado.»
(...)
«A verdade é que em Portugal o sentimento de liberdade é tímido e raro. Alguns empresários (Belmiro, por exemplo) dizem o que pensam, apesar de tudo. O mesmo fazem certos políticos. Mas a maioria cala-se. Mesmo na comunicação social vêem-se muitos jornalistas com medo das consequências do que escrevem e dizem.»
(...)
«Em Portugal, demasiada gente vive à espera de ser beneficiada, bafejada por um lugarzinho, uma distinção, uma comenda, uma prebenda. Esses são os que se calam! Sempre!»
(...)
«Esta atitude geral de chapéu na mão, subserviência, de bovinidade conjugada com o peso excessivo e demasiado poder do Estado, traça-nos o quadro da 'asfixia'.»
(...)
«A única forma de quebrar este ciclo é reduzir o poder dos governos e municípios em nomeações, contratos e prebendas. E esperar que nasçam, como estão a nascer, gerações de cidadãos livres.»

domingo, 6 de setembro de 2009

TVI: política e ilegalidade

«O caso só se transformou em caso político porque o próprio Sócrates tinha transformado o jornal de sexta da TVI num caso político. (...) Convém, também, sublinhar que esta decisão da administração da Media Capital foi ilegal.» (Henrique Monteiro)

Citações (TVI e não só)

«Portugal é uma democracia formal, mas estas medidas protofascistas vão fazendo o seu caminho. Não dizia Salazar que Portugal era mais livre que a livre Inglaterra? Sócrates e Santos Silva dizem o mesmo.»
(Eduardo Cintra Torres)


«Aquele homem que se entreviu no final do debate é o líder político com o currículo mais martelado e equívoco que a história deste País conheceu desde o advento do constitucionalismo. Logo, discutir a sua credibilidade é uma questão política de primeira grandeza.»
(Carlos Abreu Amorim)


«Este PS-Governo é muito perigoso para a liberdade. Até o seu fundador está preso nesta teia, por razões que têm sido referidas. Ao reduzir a censura anticonstitucional, ilegal e protofascista do JN6ª a um caso de gestão, Soares desceu ao seu mais baixo nível político. É vergonhoso que seja ele, o da luta pela liberdade, a dizer uma coisa destas. Será que em 1975 o República também foi calado só por “razões de empresa?»
(Eduardo Cintra Torres)


«Destruição recorde de emprego. Foram destruídos 16.700 empregos por mês no primeiro semestre. Um número recorde desde que começaram a ser calculadas as séries do INE. Actualmente, Portugal tem, pela primeira vez, mais de 500 mil desempregados»
("Expresso", 5 de Setembro de 2009)

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Com os jornais na alma

Um texto brilhante de Francisco Pinto Balsemão sobre António Pedro Ruella Ramos (1938-2009) aqui.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Cavaco, SLN, Expresso e SIC Notícias

Acabo de ver Ricardo Costa, numa intervenção deprimente, na SIC-Notícias, a tentar justificar a não-notícia do último "Expresso" sobre as aplicações financeiras de Cavaco Silva em 2001.

Outra leitura do mesmo assunto aqui.

domingo, 8 de março de 2009

Alegre e Henrique no "Expresso"

A "estória" do Magalhães (eheheheh!) levou-me a esquecer outros motivos de interesse do "Expresso" de ontem.
Destaco dois:
- o "Editorial" de Henrique Monteiro, na página 3 (disponível "on-line" dentro de dias), intitulado "A lei do medidor do pluralismo";
- a entrevista com Manuel Alegre, na página 4.

Merecia uma análise mais cuidada a entrevista de Alegre. Refiro apenas que continua a merecer-me o maior respeito e que poderá ser ele (consoante a decisão que venha a tomar) a única razão para não ir à praia no dia das eleições.

sábado, 7 de março de 2009

Magalhães: outra trapalhada

Afinal, o celebérrimo computador Magalhães, que é distribuído às criancinhas do Ensino Básico, tem dezenas e dezenas de erros ortográficos, gramaticais e de sintaxe.
Leia o "Expresso" e veja com os próprios olhos.

Apetece dizer que não há nada em que o Governo de José Sócrates se meta que não acabe em grossa asneira.

(clique na imagem para ampliar)

Ainda no "Expresso" de hoje, pode ler-se a seguinte pérola:
«
José Sócrates tem-se associado desde o início ao projecto Magalhães, mas, quando confrontado pelo Expresso com os erros de português, o seu gabinete descartou responsabilidades: "O Magalhães é um programa de sucesso fantástico, ganha prémios e é um caso exemplar em termos mundiais, por isso o primeiro-ministro se associou a ele. Agora, questões concretas sobre conteúdos e eventuais deficiências, isso é com o Ministério da Educação e o das Obras Públicas", disse Luís Bernardo, do gabinete de imprensa [do primeiro-ministro]».
É por estas e por outras que me apetece sair de Portugal, pelo menos enquanto o país for dirigido por gente desta.

* * * * *

COMENTÁRIOS NO "PÚBLICO" (às 17h00 de hoje)

Ixto xim, é o berdadeiru xoque tequenológico à portugeza. Bamos lá para as nobas hopurtunidades para sermos doutores e depois dá nisto.

Karágo pá! E eu que penssaba que akilo era o novo acordo hortográfico...

Estamos perante uma CONTAMINAÇÃO de tudo que é MAU!

A política de selecção do software educativo incluído no Magalhães é, exactamente, qual?

Nunca vi tamanha incompetência num ministério da educação. Reparem que é o da EDUCAÇÃO. Mas só vimos mentiras, teatros encenados com crianças pagas para ali estarem, prepotência, mandar fazer pareceres com as conclusões contratadas e vir dizer que é da OCDE, erros, irracionalidades e ilegalidades com a divisão artificial dos professores (e não penso em quotas ou que nem todos podem chegar ao topo, o que dou de barato). Viram uma vez a ministra numa entrega de prémios ser vaiada por crianças, e ela responder do mesmo modo com o microfone na mão uuuuuuuuh. Contado ninguém acredita.

É só remendos! Fazem coisas para "armar em carapaus de corrida" e depois é preciso desfazer para corrigir e consertar! É, tudo isto, lamentável! Estas "coisas", ou "coisinhas", são as "grandes", as "mais importantes", acções do governo e, no final, nem funcionam de tão mal feitas e improvisadas que estão.

O MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO DIZ QUE FOI SURPRESA... SURPRESA??? EU CHAMO-LHE IRRESPONSABILIDADE E INCOMPETÊNCIA!!!...E ESTOU A SER GENEROSO NA LIGUAGEM!!!...

Eu gostava de saber se há neste mundo alguma situação suficientemente grave que seja motivo de demissão para esta equipa do ME. Aparentemente não há nada, são inabaláveis. Por mais fundo que desçam, nunca haverá nada que os envergonhe o suficiente para pedirem a demissão.

Afinal é possível o choque tecnológico chocar mesmo!

E o Pinóquio lá impingiu o brinquedo ao Chaves.

Não há erros nenhuns, trata-se de uma campanha negra contra o grande Sócrates. Só inventam, detractores. E depois para que é que importam se tem erros ou não, aquilo é mesmo só para jogar e brincar.

E a perseguição a Sócrates continua! Quem foi o malandro que desta vez tentou denegrir o nosso PM e sua douta política de educação, cujo expoente máximo é o Magalhães? Deve ser uma teia tenebrosa vinda dos confins... naturalmente!

Outra vez a campanha negra! Sempre a perseguirem o Socrates! Coitado!

Que ridículo

O computador 100% português está repleto de erros, em português? Querem ver que algum estrangeiro andou a mexer na Nacional Máquina? aiai

Deviam mandar retirar o empecilho pedagógico que se chama "Magalhães".

Da mesma maneira que houve tempo ao sábado para emitir a nota a anunciar que o software vai ser removido podia ter havido antes um tempito para checkar o software. Não houve. É a preguiça e o facilitismo instalados. E como sempre não há consequências para ninguém.

Fazer tudo em cima do joelho dá nestas trapalhadas! Imagine-se o que seria se isto tivesse acontecido nos dois governos anteriores, caía o Carmo e a Trindade, mas como se tratou de algo a envolver o governo pseudo-reformista e pseudo-determinado está quase tudo bem... enquanto isso as crianças da 1.ª classe em vez de aprenderem a ler, a escrever e a fazer contas, aprendem a... jogar! É o fantástico mundo socialista no seu melhor!

Nesta como noutras questões, o governo anda a reboque dos acontecimentos. Quando é que esses srs. assumem duma vez a sua incompetência, e deixam de se pavonearem?

Deve ser hilariante para os europeus ver a triste figura que o Sócrates faz a publicitar esta "inovação portuguesa" - que afinal não passa de um computador montado em Portugal - ainda por cima com erros graves detectados! Esta gente nem faz uma revisão da matéria dada antes de se aventurar no exame! Alguém terá testado os sistemas? Acho que não ! E a irresponsabilidade é tal que colocam os aparelhos assim nas mãos das crianças!

NÃO QUERO, NÃO QUERO QUE ME TIREM OS JOGOS, PRONTO. AQUELA M. É PARA BRINCAR, NÃO É? O MEU PAI JÁ LÁ PÔS MUITOS MAIS JOGUINHOS. EU NÃO VEJO LÁ ERROS. AS LETRAS SÃO TODAS DO ALFABETO SEUS MENTIROSOS.


(aqui)

(clique na imagem para ampliar)

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Causas imateriais da crise

por Henrique Monteiro

Oficialmente, esta crise deve-se a crimes e asneiras do sistema financeiro motivados sobretudo por excesso de mercado e falta de regulação. Não há discurso que não o afirme.
Longe de mim negar tais causas, embora, por natureza, desconfie que hecatombes desta dimensão se fiquem apenas a dever a uma ou duas causas. Do meu ponto de vista, a crise resulta de muito mais cambiantes e variantes, como, aliás, todas as crises que historicamente atravessámos.
Curiosamente, muito se fala da crise de valores, mas pouca importância se lhe atribui quando se trata de analisar a falta de confiança dos mercados, as falências e o desemprego. E, no entanto, a crise de confiança é ela própria uma parte da crise dos valores. Sem valores seguros - como a probidade, a justiça, a temperança, a palavra, a prudência - não há confiança.
O sistema financeiro, sendo responsável por parte dessa quebra de confiança, foi também ele próprio vítima de uma ideologia dominante que pouca ou nenhuma atenção deu a estes valores tradicionais. Aliás, veja-se como na arte, nas ciências sociais, na comunicação, a ideia de virtude foi sendo abandonada em favor de conceitos a que chamámos pós-modernos.
Ao mesmo tempo que o relativismo negava uma verdade exterior a nós, para a colocar dependente do observador e em plano equivalente a outros valores, as principais âncoras da nossa sociedade eram arrancadas. O politicamente correcto, espécie de ditadura da linguagem, juntou-se com ideias generosas mas insustentáveis de que os direitos são inalienáveis e prevalecem sobre os deveres, que no geral se resumem ao pagamento (se tal não puder ser evitado) de impostos.
Conceitos como aforro ou caridade quase acabaram, assim como a ideia de que as recompensas se obtêm após um tempo alargado de esforço; na nossa sociedade as recompensas têm de ser imediatas, assim como na economia.
A filosofia, a arte e parte das ciências (sobretudo as ciências sociais) deixaram de reflectir a realidade, para reflectirem reflexões, num jogo infinito e cada vez mais distante do homem. Ao mesmo tempo, as construções naturais - da família à sexualidade - foram consideradas meras preferências ou opções e, em consequência, substituíveis por modelos diferentes.

Estas ideias inundaram as universidades, os meios de comunicação, as conversas bem pensantes e estabeleceram um sistema do qual é difícil, perigoso e não recompensador discordar.
Não foi só o sistema financeiro que contribuiu para esta crise.
Assim como não basta refazê-lo para que a crise termine.

(clique na imagem para ampliar)

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Sábado gordo

Foi um sábado agradável.

Começou com um "descafeinado", manhã cedo, na esplanada do Forum. Mais do que a bebida, que tinha o sabor habitual, gostei do "Expresso", cujo 1.º caderno li de fio a pavio, com interesse, durante quase uma hora.
Apreciei, acima de tudo, o texto do director do jornal, na página 3. Passe a imodéstia, escrevi aqui no blogue há uma semana algo de semelhante: mais do que económica, a crise que vivemos é de valores éticos e morais.
Fiquei feliz por ver que, afinal, ainda não perdi a capacidade de raciocinar e analisar a realidade. (Logo que possível publicarei aqui o texto de Henrique Monteiro.)

Gostei ainda de ficar a conhecer a decisão do PSD de vetar o nome de Freitas do Amaral para Provedor de Justiça. Nada de mais correcto.

Acompanhei com interesse o Sporting-Benfica. Grande jogo! Um golo fabuloso da Liedson e a confirmação da falta de categoria dos árbitros portugueses, mesmo daqueles que ostentam a insígnia da FIFA.

Finalmente, neste sábado gordo pleno de sensações positivas, decidi escrever o "Manifesto Político de um Cidadão Como os Outros". Será uma "proposta eleitoral", dirigida aos partidos políticos, com as condições que julgo necessárias para que eu possa participar nas próximas eleições - votando, como é óbvio.
Se essas condições não estiverem reunidas (ou, pelo menos, grande parte delas), só desejo que os dias das eleições tenham bom tempo... para poder ir para a praia.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Portugal nos blogues

A tarde está fria.
Sentei-me "à lareira", a aquecer o corpo, com o computador nas pernas, à procura de temas que aquecessem o espírito.

Encontrei um texto belíssimo de Francisco Pinto Balsemão, a propósito da morte do amigo (irmão!) Luiz Vasconcellos, companheiro do "Expresso" e de uma vida.
Fui à procura do que se escrevia sobre a "argolada" da Liga de Clubes no regulamento da Taça Carlsberg e encontrei "flashes" de qualidade no blogue de António Boronha, alguém que admiro.
Os assuntos são como as cerejas e... acabei por dar uma olhadela ao "Do Portugal Profundo" do professor António Balbino Caldeira. É outro espaço de liberdade - e de qualidade - na blogosfera.
Dali fui "arrastado" para uma análise sobre o fenómeno da (alta) corrupção em Portugal, dissecada no "porta da loja". Li e reli.

Foi um final de tarde interessante - e proveitoso.

À margem - Permitam-me deixar aqui um desabafo/confissão de ordem pessoal: esta foi, por motivos outros, uma tarde muito feliz. Apesar de toda a "poluição sonora", ainda é possível continuar a ouvir aqueles que têm unhas a tocar guitarra. E como é bonito ouvir um intérprete afinado!