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quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Quem fala verdade?

«O presidente do Laboratório Nacional de Engenharia Civil revelou ontem que o Governo conhecia, desde 19 de Dezembro, as conclusões do estudo que apontou Alcochete como a melhor localização para o aeroporto. Afirmações que contrariam José Sócrates e Mário Lino, que garantiram só ter tido conhecimento do estudo a 9 de Janeiro.»
("Público" de hoje)

COMENTÁRIO – Isto está a ficar cada vez mais lindo... Pobre país.

ACTUALIZAÇÃO às 22h13 de 23/01/2008:
O ministro das Obras Públicas afirmou hoje que dia 3 de Dezembro teve conhecimento das conclusões dos relatórios sectoriais do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) que apontavam Alcochete como melhor alternativa para a construção do aeroporto de Lisboa.
«No dia 3 de Dezembro o presidente do LNEC informou-me das conclusões dos relatórios sectoriais», disse Mário Lino, citado pela Lusa.
("Jornal de Negócios on-line")

domingo, 13 de janeiro de 2008

Bacalhau jamé

«Cá em casa já há um prato jamé.
Aproveitando postas de bacalhau cozido, lascando-as para juntar natas, azeite e alho para pôr no forno (que os tempos não estão para desperdício).
Uma amiga minha, olhando para a mistura disse: "Eu... comer isso? Jamé!".
E pronto, temos bacalhau jamé!
Há coisas muito estúpidas, não há?»
(comentário no "site" do Correio da Manhã)

sábado, 12 de janeiro de 2008

Obrigatório ver



O melhor exemplo do nível a que chegou a decisão política em Portugal.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Alcochete é mais longe!

«De acordo com o LNEC, por via rodoviária, que é a utilizada pela maioria dos passageiros, a Ota fica a 45 quilómetros e a localização Alcochete a 48 quilómetros. Foi medida a distância entre as futuras aerogares de passageiros e o Campo Pequeno.»

E esta?!

Análise política

Ontem escrevi aqui no blogue:
«PRESIDENTE – Cada vez estou mais convencido que, para conseguir antecipar as decisões do Governo, é preciso escutar com muita atenção o que pensa... Cavaco Silva.
Referendo, novo aeroporto...»

Não deve ter sido por minha causa que o "Diário de Notícias" escolheu a manchete do jornal de hoje.
(clique na imagem para ampliar)

Moral da história: posso não perceber nada de nada, nem mesmo de futebol, mas entendo qualquer coisa de política. Já não é mau.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Mala a 3.152 km

Chegou ontem, noite alta, à capital da Moldávia.
A mala não apareceu.
Hoje, durante o dia, procurou várias vezes a mala no aeroporto; às 9h00, às 17h00, às 23h00. Sem sucesso.
Acaba de ser informada, 24 horas depois de ter chegado a Chisinau, que a mala foi encontrada.
Sorte!
Continua no aeroporto de Lisboa.
(Dizem-lhe que a mala deve chegar à Moldávia amanhã à noite. Nada mau: sempre poderá mudar de roupa no sábado...)

Moral da história: não há aeroporto novo em Portugal que resista a serviços tão excelentemente organizados.

Aeroporto da Ota em Alcochete

O Governo tomou hoje a «decisão preliminar» de escolher Alcochete como localização para o futuro aeroporto.
Aqui ficam algumas reflexões.

CAMBALHOTA – É confrangedor ouvir o que – ainda há menos de um ano! – José Sócrates e Mário Lino afirmavam sobre o aeroporto... na Ota. As gravações que as rádios repetem são demolidoras. Santana Lopes – recordam-se das alegadas "trapalhadas"? – não poderia ter melhor(es) sucessor(es).

COIMBRA – A escolha de Alcoentre é mais uma derrota para o (in)existente "lobby de Coimbra". E nova manifestação da crescente falta de "peso político" da cidade e dos seus representantes. [A situação só não é mais negra porque, aqui e ali, surgem esporádios motivos de alegria. Agora mesmo, António Marinho acaba de assumir o cargo de bastonário dos advogados. Marinho que – felizmente – nunca integrou o "núcleo mais" de Coimbra... Parabéns, campeão!]

PEDRAS RUBRAS – Continua a ser o meu aeroporto preferido. Boas acessibilidades, excelentes transportes públicos ("metro" de Campanhã até ao aeroporto), parques de estacionamento amplos e com preços razoáveis. Tanto me faz que, a sul, seja Ota ou Alcochete. Mal por mal...

MONTE REAL – A escolha de Alcochete contribui para a decisão que me parece ser a melhor para o futuro de Coimbra e da Região Centro: a abertura da base área de Monte Real à aviação civil. Se os decisores políticos (e os "opinion makers") voassem mais em companhias "low cost" já teriam percebido há muito que é este o caminho do futuro. [Aconselho-lhes, por exemplo, uma viagem até Beauvais, a 60 km de Paris. Podem crer que não custa nada...]

PRESIDENTE – Cada vez estou mais convencido que, para conseguir antecipar as decisões do Governo, é preciso escutar com muita atenção o que pensa... Cavaco Silva.
Referendo, novo aeroporto...

JÁMÉ – Fica para a História (do ridículo) em Portugal a caracterização que Mário Lino fez da margem sul do Tejo. Associada ao deserto, a expressão «Jamais, jamais!», que dado o cariz anglófono das gerações mais novas surge grafada por vezes como «Jámé, jámé». Como diria não sei quem, «É só rir, só rir».

OTA – Não percebo a mania de grafar a Ota em maiúsculas, quando isso não sucede com as outras localidades. Deve ser incapacidade minha.

terça-feira, 19 de junho de 2007

O aeroporto de Lisboa


Um dos meus sonhos de menino nascido na Baixa coimbrã era (continua a ser!) o de conhecer Mundo.

Desde tão novo que não me lembro quando, recusei-me sempre a reduzir o "espaço vital" à zona em redor da Rua das Padeiras, entre o Arnado e o Romal, a Praça 8 de Maio, a Portagem e a beira-rio. Com umas saltadas ao Zagalho e a Friúmes, e duas semanas por ano no Casal da Areia (Buarcos).

VIAGENS
Tive sorte – comecei a viajar cedo. Primeiro, com o grupo de teatro do Liceu D. João III, com espectáculos todos os anos na zona de Vigo; e em espanhol. Aprendi a língua e ganhei o gosto. Depois disso, duas grandes viagens: à Madeira (15 dias) e a Angola (45 dias), em resultado de concursos promovidos no liceu.

A primeira deslocação paga pelos meus pais e por mim (com o dinheiro dos trabalhos que ia fazendo) foi a viagem de finalistas, em Março de 1974, a Andorra, quando a DGS riscou um nome na folha chamada de "passaporte colectivo" - e o Sérgio (que Deus o tenha em descanso) viu-se obrigado mesmo a ficar em Coimbra.

Vieram depois as viagens a propósito de arbitrar jogos (uma dúzia, todas à Madeira), as reportagens no estrangeiro e aquela que considero "a viagem da minha vida", a convite da União dos Jornalistas Católicos: cinco semanas, de Berlim a Kiev, poucos anos depois da queda do Muro.

E outras, com a família, até à fronteira com a ex-Jugoslávia, onde ficou o quase-novo Rover, no fundo de uma latada.

Nos últimos anos, o facto de trabalhar numa revista com ligações a Itália e da minha filha ter estado a estudar no estrangeiro obrigaram a maior número de viagens. E o "Mundial" de futebol de 2006 também me fez viajar até à Alemanha. Infelizmente, não regressei a Berlim, embora tivesse bilhete para a final... se Portugal lá chegasse.

Optando por viajar ao menor custo possível, tenho utilizado frequentemente os serviços de companhias "low cost", que por norma utilizam aeroportos secundários. Foi assim que já aterrei em Beauvais (Paris), Stansted e Luton (ambos nos arredores de Londres), em Veneza, Milão (Linate), Génova, Pisa, Roma (Ciampino) e Bolonha. Mas também viajei para os grandes aeroportos de Milão (Malpensa), de Roma (Fiumicino), de Bruxelas e de Londres (Gatwick).

O NOVO AEROPORTO
Não sou técnico, nem o assunto do novo aeroporto de Lisboa me interessa especialmente. Vou assistindo ao processo com um sorriso...

Mas há muito que tenho uma ideia: o que interessa à Região Centro é abertura da base militar de Monte Real à aviação civil. Isso, sim, é que favoreceria o desenvolvimento sócio-económico.
Quanto ao novo aeroporto de Lisboa ser construído em Alcochete ou na Ota, pouca diferença me fará. Até porque, ultimamente, tenho optado por viajar do Porto (aeroporto Francisco Sá Carneiro), dada a proximidade e a facilidade de acesso por estrada ou por comboio/metro. E o aeroporto está um luxo!

E tenho outra certeza: o aeroporto da Portela não deve ser desactivado. É isso que tenho visto por toda a Europa.

AEROPORTOS NA EUROPA
Só para se ter uma ideia, apresento as distâncias a que se encontram do centro da cidade os aeroportos das capitais europeias mais próximas (juntando-lhe os de Milão).

Madrid – Barajas: 12 km

Paris – Orly: 14 km
Paris – Charles de Gaulle: 23 km
Paris – Beauvais: 88 km

Londres – Heathrow: 28 km
Londres – Gatwick: 47 km
Londres – Stansted: 58 km
Londres – Luton: 51 Km

Roma – Fiumicino (Leonardo Da Vinci): 32 km
Roma – Ciampino: 15 km

Milão – Malpensa: 45 km
Milão – Linate: 7 km
Milão (Orio Al Serio - Bérgamo): 45 km (5 km de Bérgamo)

Bruxelas: 15 km

Ou seja: onde foram construídos novos aeroportos, os antigos não foram destruídos e continuam a funcionar. As excepções são Madrid e Bruxelas, porque só têm um aeroporto – que está praticamente dentro da cidade.

Aqui fica o meu modesto contributo para a polémica em curso.
Tenho uma sensação: se aqueles que decidem viajassem mais na Ryanair, na Easyjet, na Virgin ou mesmo na Portugália... eram capazes de encontrar mais rapidamente a solução para o problema. A melhor solução.