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segunda-feira, 29 de junho de 2009

Contra a corrupção, marchar, marchar

Para mim, renovar é trazer para a política pessoas com vida e profissão, que tenham conhecido dificuldades, desilusões, derrotas, perdas, que sejam mais de carne do que de plástico. Há cada vez menos gente assim na política, à medida que nos partidos as jotas funcionam como incubadoras de carreiras semiprofissionais e profissionais de política. Elas implicam quase sempre baixa qualificação profissional, cursos de segunda, pouca experiência profissional e vidas que rapidamente acedem a regalias e prebendas que separam os que as recebem do comum dos cidadãos e dos seus companheiros de geração. Quem entra para assessor numa autarquia, ou para deputado, sem ter tido profissão, tende a ficar preso pela sua falta de qualificações e saída profissional. Os aparelhos partidários estão cheios de gente assim, que gere obediências e sindicatos de voto, a quem não se conhece um "não" que os afaste por consciência de qualquer lugar.
(...)
Por exemplo, para mim, renovar significa escolher pessoas que mostrem ter uma intransigência grande com a corrupção. Não basta serem honestas e sérias, o que muita gente é na política. É preciso ir mais longe, dada a natureza do meio e das suas tentações, é preciso não pactuar com quem seja menos honesto. Embora este seja um terreno difícil, a "ética republicana" como queria Pina Moura não é apenas a lei e os prevaricadores não são apenas os culpados em tribunal. É necessário que nos partidos políticos haja cada vez mais gente que não ajuda, promova, seja indiferente com quem abusa do seu lugar, quem enriquece sem explicação, quem serve o contínuo tráfego de influências que passa pela política.

(excertos de um texto de Pacheco Pereira, que vale a pena ler na íntegra)

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Política, Futebol e Poder Local

Eu sei que muita gente visita este blogue não por aquilo que escrevo mas pelas transcrições que aqui são feitas por isso e porque acho muito bem esse procedimento trago-vos aqui um conjunto de citações que merecem bem a pena e se quiserem ler os textos na íntegra basta clicar no nome dos autores como vêem não custa nada e é uma forma fácil de acompanhar o que vai sendo publicado noutros locais por isso escolhi um conjunto de frases que me parecem muito boas vá lá leiam e divirtam-se que isso ainda não paga imposto.
prima da Guidinha

«A partir de agora, o senhor presidente do Conselho vai fazer tudo para salvar a sua pele. E vai, um a um, sacrificar em público os ministros que andaram quatro anos a dar o corpo ao manifesto pelas suas políticas, pelas suas reformas, pela sua arrogância, pela sua propaganda e pelas suas mentiras eleitorais.» (António Ribeiro Ferreira)

«O antigo presidente socialista da Câmara do Porto, Nuno Cardoso, foi condenado, ao início desta tarde, a três anos de prisão com pena suspensa por crime de prevaricação. A pena deve-se ao facto de, em 2001, Nuno Cardoso ter assinado um despacho que perdoou uma coima ao Boavista por o clube portuense se encontrar a construir sem licença.» (Aníbal Rodrigues)

«O juiz do tribunal de S. João Novo aludiu a uma “teia” entre o poder autárquico e os clubes de futebol e apresentou a sanção como um exemplo contra o sentimento de impunidade que muitos cidadãos descrevem. “Que tudo isto sirva para um alerta de consciências”, afirmou.Tanto bastou para Nuno Cardoso anunciar, acto contínuo, o regresso à política. Só não disse se será em Felgueiras ou em Oeiras...» (Jorge Ferreira)

«Este [o novo porta-voz do PS] é o homem que entendia que escrituras públicas eram afinal privadas.» (Pacheco Pereira)

«O orçamento da Académica para a época 2009/2010 deverá rondar os quatro milhões de euros, um valor ligeiramente inferior ao das duas últimas épocas.» ("Público.pt")

quinta-feira, 4 de junho de 2009

António Costa preocupado com o PSD

António Costa acaba de dizer que Pacheco Pereira presta um «péssimo serviço» ao PSD e a Cavaco Silva com os seus comentários sobre a "roubalheira no BPN".

É bonito ver tão alto dirigente socialista preocupado com os social-democratas e o Presidente da República.

Conclusão lógica: Pacheco Pereira acertou na "mouche".

quinta-feira, 28 de maio de 2009

A lógica do poder socialista

Já tinha desligado o computador.
No entanto, a "Quadratura do Círculo" fez-me voltar ao portátil, devido à (deprimente) argumentação de António Costa sobre as exigências éticas no exercício de funções públicas.
«A regulação [bancária] falhou em todo o mundo», afirmou por exemplo António Costa, com aquele ar de superioridade que os socialistas exibem quando estão no poder, para justificar a continuidade de Vítor Constâncio no cargo de governador do Banco de Portugal. Mas esquecendo, como disse Pacheco Pereira, que nesse mesmo "todo o mundo" «houve uma vaga de demissões».

Há muito que eu me rio da chamada "ética republicana e socialista". Tenho muitos anos e já vi/li coisas interessantes. (Não, ainda não li o livro de Rui Mateus, mas já o tenho; pretendo levá-lo como "leitura de férias"). Rio-me da chamada "ética socialista" e quanto a isso não há nada a fazer.

Mas o que cada vez me preocupa mais é a arrogância com que o poder socialista interpreta os seus próprios actos, com uma desfaçatez tal que me faz pensar que, em caso de nova vitória socialista, iremos viver uma democracia ainda mais musculada do que aquela em que já vivemos.

Preocupa-me que, 35 anos depois do "25 de Abril", estejam a regressar "formas sociais" que eram características do antigo regime: o medo de falar, o receio de afirmar a diferença, a possibilidade de colocar a liberdade de pensamento e de expressão entre parêntesis.
Isto está a ficar lindo. Ai está, está.

PS - António Lobo Xavier foi brilhante em dois momentos do debate: sobre a ética e sobre o proposto novo imposto europeu. Eis um homem que dignifica a "escola coimbrã".

sexta-feira, 3 de abril de 2009

O caso Freeport

«O caso Freeport é um caso de justiça, mas quer como caso em si, envolvendo a possibilidade de ilegalidades ou crimes, quer como caso em que a justiça e os seus procedimentos podem estar em causa, quer como caso ético-político, quer como caso de liberdade de imprensa, deve ser discutido sem ambiguidades, pelo seu papel central na vida pública portuguesa. Ele existe, move-se e é decisivo para a nossa sanidade pública. Colocá-lo debaixo do tapete, enchê-lo de medos, de sussurros, de silêncios, de incomodidades, deixará Portugal envenenado por muitos e bons anos.»
(Pacheco Pereira no "Abrupto")

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Governo e propaganda

«"Mais uma escandalosa sessão de propaganda, com um longo tempo de antena do primeiro-ministro, está em curso no noticiário das 13.00 da RTP a pretexto do [computador] Magalhães ("o primeiro portátil inteiramente português é produzido em Matosinhos" mente o oráculo). A RTP perdeu toda a vergonha e a ERC, que fecha os olhos a esta completa ausência de jornalismo substituído por favores políticos, também", começa o texto de Pacheco Pereira no seu blogue Abrupto
(in "Diário de Notícias" de hoje)

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Pobre país...

«A colheita dos últimos dias "verdeja" à superfície de coisas um pouco sinistras: o processo de Isaltino de Morais voltou quase à estaca zero, mais uma vez, ao fim de não sei quantos anos, e não acontece nada. Vários crimes de que era acusada Fátima Felgueiras prescreveram entre os passeios pelo Brasil, as mudanças de visual e as peregrinações a Fátima dos felgueirenses, patrocinadas pela "Fatinha". E não acontece nada. O Ministério Público arquivou o processo de agressões ao vereador de Gondomar, continua a não se saber quem o agrediu, mas isso não deve ter importância, porque não acontece nada. Cravinho faz uma crítica duríssima aos seus colegas de bancada por sabotarem qualquer legislação contra a corrupção. E não acontece nada. De passagem, o mesmo Cravinho põe em causa com todas as letras o comportamento do LNEC, a quem acusa de ter moldado as conclusões às vontades do poder político, falsificando o seu relatório sobre o aeroporto por omissão de despesas. E não acontece nada. O bastonário da Ordem dos Advogados falou alto de mais e obrigou a mais uma ronda de lip service sobre a corrupção dos ricos e poderosos, que muito provavelmente vai dar origem a mais uma... Comissão. E não acontece nada. O mesmo bastonário acrescentou um caso muito interessante de como se ganha dinheiro em Portugal, o prédio vendido de manhã pelo Estado aos privados e vendido à tarde pelos privados a outros privados com mais cinco milhões em cima e, pelo meio, consultores e assessores do PS e do PSD. E não acontece nada. O Público mostrou a obra arquitectónica do engenheiro Sócrates, (vale a pena este vídeo) por coincidência toda no distrito da Guarda, apesar de ele ser funcionário da Câmara da Covilhã e dirigente partidário do distrito de Castelo Branco. E não acontece nada. Depois, há o ciclo do governo PSD/PP com os seus sobreiros, submarinos e um casino dado numa noite de despachos que adormeceu ainda com o governo Santana Lopes/Portas e acordou com o governo do engenheiro Sócrates, porque era o dia do fim dos tempos, o Gotterdamerung da coligação despedida por Sampaio e por milhões de portugueses. E não acontece nada. Do lado do "dar" está o Estado, do lado do "receber" está a Estoril-Sol, os Espírito Santo, a Lusoponte, o Futebol Clube Felgueiras, etc., etc. Não, não estamos nos nossos melhores dias...»

Excerto de texto de José Pacheco Pereira, no "Abrupto"
(destaques coloridos da minha responsabilidade)