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sexta-feira, 30 de abril de 2010

Portugal não é país de corruptos

«O hipotético suborno de Domingos Névoa estava ferido de irregularidade, e por isso não podia aspirar a receber o nobre título de suborno. O que se passou foi, no fundo, uma ilegalidade ilegal. O que, surpreendentemente, é legal. Significa isto que, em Portugal, há que ser especialmente talentoso para corromper. Não é corrupto quem quer. É preciso saber fazer as coisas bem feitas e seguir a tramitação apropriada. Não é acto que se pratique à balda, caso contrário o tribunal rejeita as pretensões do candidato. "Tenha paciência", dizem os juízes. "Tente outra vez. Isto não é corrupção que se apresente."»
(Ricardo Araújo Pereira, na "Visão")

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Escândalos em cromos

A "Visão" tem habitualmente muitos motivos de interesse. O maior, para mim, é a crónica de Ricardo Araújo Pereira. É por isso que começo sempre a leitura da revista pela última página.

O texto de ontem é verdadeiramente antológico. Versa sobre os escândalos em Portugal e nele RAP sugere que se publique uma colecção de cromos. Temas não faltam: Freeport, Universidade Independente, escândalo PT/TVI... "Escândalos de Portugal - Uma Caderneta de Cromos" é o título proposto. Eu compro.

(clique na imagem para ampliar)

quinta-feira, 4 de março de 2010

As acusações de Pinto Balsemão


A audição de Manuela Moura Guedes, ontem, no Parlamento, está hoje nas primeiras páginas de todos os jornais. A jornalista fez acusações graves e o destaque é justificado.

No entanto, uma intervenção muito mais profunda, a de Francisco Pinto Balsemão, passa quase despercebida.
E porquê?... Porque Balsemão começou a ser inquirido já depois das 18h00 e nessa altura os "media" têm de apressar as edições da noite (no caso das televisões) e do dia seguinte (no caso dos jornais). E como já havia noticiário em quantidade suficiente (Manuela Moura Guedes foi pródiga nas revelações/acusações), a audição do dono do "Expresso" foi relegada para segundo plano.

Noutras circunstâncias, as palavras de Pinto Balsemão teriam muito maior impacto.

Atentem só no que ele disse, segundo relata Paulo Chitas na "Visão on-line":
«O presidente do Conselho de Administração da Impresa (proprietária da SIC, Expresso e VISÃO), começou o depoimento por ilustrar dois cenários possíveis. Um, que considerou um "plano conspirativo, muito bem concebido", passaria por 10 pontos: 1) a produção de legislação (que enfraqueceria os grupos privados e fortaleceria os públicos), 2) a compra da TVI pela PT, 3) o controlo da Impresa pela Ongoing, 4) a compra do Correio da Manhã (lembrou que se chegou a falar num valor de 140 milhões de euros) e 5) do grupo Controlinvest (detentor do DN e do JN), 6) o controlo da RTP e RDP, 7) o controlo da Lusa, de que o Estado é o maior accionista, 8) o lançamento de um 5º canal generalista, em sinal aberto, 9) o adiamento do TDT paga, 10) e o fecho do semanário Sol. O outro, a que chamou o "cenário do acaso e da incompetência", passaria pelos mesmos pontos, mas a sua concretização, parcial ou total, não seria inspirada pelas mesmas intenções.

Balsemão acabaria por defender que vários pontos do plano "conspirativo" se concretizaram. O patrão da Impresa disse ainda que publicaria a crónica de Crespo, afirmou que assistira a várias peças jornalisticamente competentes no Jornal de Sexta, embora não se reconhecesse no seu estilo, e considerou que a PT não teria avançado para a compra da TVI sem o conhecimento do Governo. Criticou ainda o excesso de poderes da Entidade Reguladora para a Comunicação Social, defendeu o papel dos conselhos de redacção e disse que o "público é o grande aliado do jornalismo de qualidade".»

Um (arrasador) libelo acusatório.
Só não perceberá quem não quiser.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Portugal, rabejador da Europa

«Quando eu nasci, Portugal estava na cauda da Europa. Veio o PREC, e Portugal continuou na cauda da Europa. Depois chegou alguma estabilidade, e aí Portugal continuou na cauda da Europa. Entrámos na CEE, e permanecemos na cauda da Europa. Vieram os governos de Cavaco Silva, mais os milhões comunitários, e - então sim - Portugal continuou na cauda da Europa. Nisto, o PS voltou ao poder. E Portugal manteve-se na cauda da Europa. A seguir, o PSD regressou ao governo. E Portugal na cauda da Europa. Depois, mais governos do PS até hoje. E Portugal firme na cauda da Europa. Onde fica Portugal? Na cauda da Europa. Não se sabe que bicho é a Europa, mas lá que tem uma cauda é garantido. E não há dúvidas nenhumas de que Portugal está nela sozinho.

Nem sempre foi assim. No princípio, Portugal estava na cauda da Europa acompanhado. Nos anos 70, Espanha estava taco a taco connosco na cauda. Ora valia mais o escudo, ora valia mais a peseta. Primeiro, nós íamos ao El Corte Inglés fazer compras baratas. Entretanto, o El Corte Inglés veio para cá fazer vendas caras. De repente, os espanhóis meteram uma abaixo e começaram a galgar pela Europa acima - e nós ficámos na cauda com a Grécia. Nisto, os gregos também amarinharam. Abriu-se a União Europeia a países que estavam igualmente na cauda, como a Irlanda, e todos foram abandonando a cauda a caminho, suponho, do lombo da Europa.

Como se explica este fenómeno da nossa longa estada na cauda da Europa? Creio que só pode ser uma opção. E, sendo uma opção, tem de ser estratégica. É muito raro uma opção não ser estratégica. Já tivemos vários governos e regimes, e todos, sem excepção, optaram por nos manter na cauda. Deve haver um plano. Outros países, que não têm coragem de permanecer na cauda, foram avançando para a garupa. É lá com eles. Mais fica de cauda para nós.

A verdade é que alguém tem de ficar na cauda. E, no que diz respeito a caudas de continentes, a estar nalguma que seja na da Europa. Temos a experiência, o talento e, pelos vistos, a vocação para estar na cauda. Seria uma pena desperdiçar décadas e décadas de prática. Será sensato que um país com o tamanho do nosso se aventure para fora da cauda da Europa? É importante não esquecer que é com a cauda que se enxotam as moscas. E que a cauda consegue enxotar tudo, menos o que está na cauda. Os pessimistas dirão: temos o último lugar garantido. Os optimistas hão-de notar que, ao menos, é um lugar. E que está garantido. Já não é nada mau.»
(Ricardo Araújo Pereira, na "Visão" de ontem)

Brilhante!

sábado, 21 de março de 2009

Poder da Imprensa: o caso do provedor de Justiça

A entrevista do provedor de Justiça à "Visão" desencadeou um autêntico terramoto político.
É este o poder da Imprensa: divulgar aquilo que alguns gostariam de esconder.

* * * * * * * *

Este assunto do provedor de Justiça parece-me muito mal explicado.
Manuela Ferreira Leite afirmou que o PS fez uma «inusitada indicação de nomes sucessivos».
Alberto Martins (está tão diferente...) informou que o PS quer Jorge Miranda a exercer o cargo.
Em que é que ficamos?
Ferreira Leite faltou à verdade?
Rui Alarcão e António Arnaut foram, ou não, indicados também pelo PS?
Quantos mais nomes vão ainda os socialistas indicar?
Há dias específicos para a sugestão de nomes? As terças e as quintas-feiras, por exemplo?

Conclusão: outra trapalhada.

* * * * * * * *

Finalmente, Nascimento Rodrigues tomou a atitude que há muito se impunha: abandona o cargo no fim do mês.
É de homem!
(Tenho para mim que é sempre melhor uma boa ruptura que um mau consenso.)

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Aguiar-Branco

Gostei de ler a entrevista de Aguiar-Branco à "Visão".
Finalmente surge alguém disposto a lutar por ideias, contrariando a "lógica aparelhística".

Gostei, sobretudo, de o ver afirmar-se como social-democrata.
(Não me recordo de José Sócrates se afirmar socialista; e se o fizesse, a reacção seria uma enorme gargalhada nacional).

Esta política que vamos tendo, em que todos são diferentes mas afinal são iguais, é a principal razão para o descrédito generalizado e o desinteresse dos cidadãos.

Se Aguiar-Branco conseguir assumir um PSD novo, jovem, determinado, a lutar por ideias e por ideais, poderá terá sucesso.
Para já, agitou as "águas" deste "mar Morto" em que se vive.

A luta, contra os instalados da política, será difícil.
Mas é daquelas batalhas que só enobrecerá quem a travar.

NOTA - Alberto João Jardim ainda ontem disse aos jornalistas que só voltaria a falar após a visita de Cavaco Silva à Madeira. Hoje, porém, não resistiu. Veio dizer que o PSD é do Povo e não da alta burguesia do Porto. Não percebi. Afinal, quem era... Francisco Manuel Lumbrales de Sá Carneiro? Jardim tem esta característica: fala muito. E, por vezes, mais valia que ficasse em silêncio. Hoje, por exemplo, perdeu uma boa oportunidade de estar calado.

(Alberto João Jardim, que já admirei em tempos recuados, é um daqueles políticos cujo "prazo de validade" está ultrapassado. Entrou na política no "25 de Abril" e nunca mais saiu; ficou, ficou, ficou, ficou, ficou, ficou... Até parece que, no Portugal de 10 milhões de habitantes, há uma "casta" minoritária de predestinados e uma esmagadora maioria de incapazes. Felizmente, a tendência será para haver cada vez menos políticos como ele...)

ACTUALIZAÇÃO (às 0h30 de 18/04/2008) - Acabo de chegar a casa e tomo conhecimento da notícia de "demissão" de Luís Filipe Menezes. Afinal, parece que houve quem não gostasse da entrevista à Visão".

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Capas de jornais e revistas

Duas capas bem conseguidas, uma do jornal francês "Libération" e a outra da revista portuguesa "Visão", assinalam a abertura de um novo blogue-irmão.
Ali (na coluna da direita). Ou aqui.