«O país constatou que em algumas universidades funcionavam verdadeiros gangues, gente sem escrúpulos organizada em termos de associação criminosa.
Foi isto o que se passou na área do ensino superior privado.»
«Só que ao escândalo do BCP seguiu-se o do BPN e a este o do BPP. E, aqui, toda a área ficou sob suspeita.
Tal como sucedeu nas universidades – em que, depois de conhecidas as fraudes, só as públicas e a Católica não passaram a ser olhadas com desconfiança –, na banca portuguesa só a Caixa Geral de Depósitos não foi afectada pela hecatombe.»
«Ora, tal como sucedeu nas duas áreas anteriores, depois de o futebol ter sido entregue a si próprio não tardou muito a que começasse a falar-se de escândalos.
O mais célebre foi o Apito Dourado, mas muitos outros ocorreram envolvendo árbitros, dirigentes e presidentes de Câmara: José Guímaro, Pimenta Machado, Valentim Loureiro, Fátima Felgueiras, José Eduardo Simões, etc., etc.»
«Todos os países podem ter melhores ou piores Governos.
Mas os países só podem verdadeiramente andar para a frente se tiverem boas elites.
Se, nos sectores vitais da sociedade, houver gente capaz, séria, competente e empreendedora.
Ora em várias áreas-chave temos tido demasiada gente que não presta.
Gente que não hesita em recorrer à fraude, à corrupção, à usura para alcançar os objectivos.»
São quatro excertos do "Editorial" de sexta-feira do jornal "Sol", da autoria de José António Saraiva. Um texto brilhante, que pode ler na íntegra aqui.
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sábado, 28 de novembro de 2009
quinta-feira, 2 de abril de 2009
Portugal está podre
Assistir actualmente aos noticiários televisivos é confirmar a ideia de que o país está podre.
Começa a ser tempo de acabar com este estado de coisas.
Como? Prendendo quem deve ser preso, punindo quem deve ser punido, afastando quem deve ser afastado, correr com a "malta" que desde a década de 70 se sentou à "mesa do Orçamento" e não quer largar os "tachos", chamar outros protagonistas, dar lugar aos jovens e definir padrões ético-legais muito mais exigentes.
Ao mesmo tempo, é tempo de acabar com nomeações de amigalhaços, concursos à medida, gastos sem controlo, salários escandalosos, obras sumptuosas, despesas de representação, empresas públicas e municipais sem justificação, repartição familiar de cargos públicos, projectos faraónicos, e..., e..., e....
Estou farto disto. E desta gente.
Começa a ser tempo de acabar com este estado de coisas.
Como? Prendendo quem deve ser preso, punindo quem deve ser punido, afastando quem deve ser afastado, correr com a "malta" que desde a década de 70 se sentou à "mesa do Orçamento" e não quer largar os "tachos", chamar outros protagonistas, dar lugar aos jovens e definir padrões ético-legais muito mais exigentes.
Ao mesmo tempo, é tempo de acabar com nomeações de amigalhaços, concursos à medida, gastos sem controlo, salários escandalosos, obras sumptuosas, despesas de representação, empresas públicas e municipais sem justificação, repartição familiar de cargos públicos, projectos faraónicos, e..., e..., e....
Estou farto disto. E desta gente.
domingo, 22 de fevereiro de 2009
Só... (mas feliz)
Não tenho, nem nunca tive, conta no BPN.
Nem no BPP.
Frequentei uma universidade que ainda existe.
Nunca tive um "tacho".
Fiz 21 cadeiras na licenciatura e cinco no mestrado e tive 26 professores diferentes.
Fui funcionário público durante 13 anos, depois de concurso público e nacional.
Saí da Função Pública há 18 anos e não mantenho qualquer lugar ou vínculo.
O meu pai era contínuo e eu sou jornalista.
Tenho uma filha licenciada em Direito e um filho a estudar Medicina.
Nunca assinei um texto que eu próprio não tivesse redigido.
Nunca fui "boy".
Nem sequer nunca estive filiado em qualquer partido.
Comprei um apartamento que custou o mesmo que custaram os dos meus vizinhos.
Nunca me candidatei a qualquer lugar político.
Só exerci, por eleição, "lugares de serviço" (associação de estudantes, sindicatos dos professores e dos jornalistas, associação de jornalistas desportivos, estruturas do futebol, Academia Olímpica, ACM, etc.), nos quais nunca recebi qualquer compensação monetária, nem sequer as famosas "senhas de presença". Na maioria deles, nem as despesas de deslocação.
Nunca meti uma "cunha".
Não tenho nenhum amigo que seja membro de qualquer força policial, das magistraturas ou dirigente de partido político.
Nutro profundo desprezo por quem sobe na vida à custa do erário público, de "esquemas" e "negociatas".
Evito relacionar-me com tais pessoas, tentando mesmo não frequentar espaços públicos onde seja previsível que as possa encontrar.
Sou contra a corrupção.
Nunca paguei "luvas" ou "suplementos" de qualquer espécie, nem mesmo quando só se compravam automóveis novos com "donativos" ao vendedor.
Ao fim de quase 35 anos como jornalista, não há ninguém com quem me tenha relacionado profissionalmente que possa dizer que me pagou qualquer coisa - nem um almoço, nem sequer um café.
Cumpro as leis, mas acredito que os valores morais sobrepõem-se à legislação. E tento agir em conformidade.
Recuso o "chico-espertismo" e o "salve-se quem puder".
Não sou perfeito. Cometo erros - demasiados, para o meu gosto.
Como digo repetidamente, "não nasci para ser simpático".
Talvez por isso tenha escrito este texto num domingo à tarde, quando poderia estar calmamente num dos vários Carnavais da região. (Não, não gosto do Carnaval...)
Acredito que o futuro só será melhor se as vozes livres, descomprometidas, se fizerem ouvir.
Quando abro os jornais e vejo que - a propósito de tudo e de nada - Portugal é uma terra de "primos e primas", em que as vidas pessoais, profissionais e políticas se entrelaçam num rendilhado de malha fina, finíssima, sinto-me um homem só.
Felizmente.
Nem no BPP.
Frequentei uma universidade que ainda existe.
Nunca tive um "tacho".
Fiz 21 cadeiras na licenciatura e cinco no mestrado e tive 26 professores diferentes.
Fui funcionário público durante 13 anos, depois de concurso público e nacional.
Saí da Função Pública há 18 anos e não mantenho qualquer lugar ou vínculo.
O meu pai era contínuo e eu sou jornalista.
Tenho uma filha licenciada em Direito e um filho a estudar Medicina.
Nunca assinei um texto que eu próprio não tivesse redigido.
Nunca fui "boy".
Nem sequer nunca estive filiado em qualquer partido.
Comprei um apartamento que custou o mesmo que custaram os dos meus vizinhos.
Nunca me candidatei a qualquer lugar político.
Só exerci, por eleição, "lugares de serviço" (associação de estudantes, sindicatos dos professores e dos jornalistas, associação de jornalistas desportivos, estruturas do futebol, Academia Olímpica, ACM, etc.), nos quais nunca recebi qualquer compensação monetária, nem sequer as famosas "senhas de presença". Na maioria deles, nem as despesas de deslocação.
Nunca meti uma "cunha".
Não tenho nenhum amigo que seja membro de qualquer força policial, das magistraturas ou dirigente de partido político.
Nutro profundo desprezo por quem sobe na vida à custa do erário público, de "esquemas" e "negociatas".
Evito relacionar-me com tais pessoas, tentando mesmo não frequentar espaços públicos onde seja previsível que as possa encontrar.
Sou contra a corrupção.
Nunca paguei "luvas" ou "suplementos" de qualquer espécie, nem mesmo quando só se compravam automóveis novos com "donativos" ao vendedor.
Ao fim de quase 35 anos como jornalista, não há ninguém com quem me tenha relacionado profissionalmente que possa dizer que me pagou qualquer coisa - nem um almoço, nem sequer um café.
Cumpro as leis, mas acredito que os valores morais sobrepõem-se à legislação. E tento agir em conformidade.
Recuso o "chico-espertismo" e o "salve-se quem puder".
Não sou perfeito. Cometo erros - demasiados, para o meu gosto.
Como digo repetidamente, "não nasci para ser simpático".
Talvez por isso tenha escrito este texto num domingo à tarde, quando poderia estar calmamente num dos vários Carnavais da região. (Não, não gosto do Carnaval...)
Acredito que o futuro só será melhor se as vozes livres, descomprometidas, se fizerem ouvir.
Quando abro os jornais e vejo que - a propósito de tudo e de nada - Portugal é uma terra de "primos e primas", em que as vidas pessoais, profissionais e políticas se entrelaçam num rendilhado de malha fina, finíssima, sinto-me um homem só.
Felizmente.
segunda-feira, 24 de novembro de 2008
Isto está lindo...
Não passa um dia sem um novo escândalo.
Portugal parece ser, cada vez mais, um sítio mal frequentado.
Portugal parece ser, cada vez mais, um sítio mal frequentado.
quarta-feira, 24 de setembro de 2008
Magalhães, SIC e "Hora da Verdade"
Parece que a SIC está preocupada com a possibilidade de os pequenos utilizadores do computador Magalhães poderem escrever «vagina» no Google e se depararem com «coisas pouco recomendáveis a crianças de seis anos».
(...)
Quanto a mim, é muito mais preocupante deixar os meus filhos com o comando da televisão na mão porque podem encalhar precisamente na SIC. Neste canal é também bastante fácil apanharem-se «coisas pouco recomendáveis a crianças de 6 anos».
(...)
Quanto a mim, é muito mais preocupante deixar os meus filhos com o comando da televisão na mão porque podem encalhar precisamente na SIC. Neste canal é também bastante fácil apanharem-se «coisas pouco recomendáveis a crianças de 6 anos».
(in "Bitaites")
O texto de onde retirei este fragmento, intitulado "Quando as putas dão lições de moral", merece ser lido na íntegra.
PS 1 – Isto da moral é tramado. Não é qualquer um que pode chamar a si o papel de "guardião da moral e dos bons costumes". Ainda hoje, ao ler um dos diários da cidade, não pude deixar de sorrir.
PS 2 – Ainda não vi o novo programa da SIC. Nem penso ver, apesar da trovoada de domingo passado ter avariado a antena parabólica lá de casa. Nem assim.
O texto de onde retirei este fragmento, intitulado "Quando as putas dão lições de moral", merece ser lido na íntegra.
PS 1 – Isto da moral é tramado. Não é qualquer um que pode chamar a si o papel de "guardião da moral e dos bons costumes". Ainda hoje, ao ler um dos diários da cidade, não pude deixar de sorrir.
PS 2 – Ainda não vi o novo programa da SIC. Nem penso ver, apesar da trovoada de domingo passado ter avariado a antena parabólica lá de casa. Nem assim.
terça-feira, 16 de setembro de 2008
Menos cadeia, mais crime
Mais crime e menos presos. Este é o principal balanço das alterações penais que entraram em vigor há um ano. Em apenas um ano, as cadeias têm menos 2.038 presos, a maior queda de sempre, a qual foi acompanhada por uma onda de criminalidade sem precedentes.
(adaptado do “Correio da Manhã” de ontem)
sábado, 7 de junho de 2008
Retrato português
Ela:
- O Modelo está praticamente vazio. E as poucas pessoas que lá vi andavam a comprar amendoins e champanhe...
São 6 da tarde de sábado.
A estreia de Portugal no Euro 2008 é já a seguir.
- O Modelo está praticamente vazio. E as poucas pessoas que lá vi andavam a comprar amendoins e champanhe...
São 6 da tarde de sábado.
A estreia de Portugal no Euro 2008 é já a seguir.
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