quinta-feira, 17 de agosto de 2006

Calinada (1)


(clique na imagem para ampliar)

O recorte é do jornal "Público" de hoje.
Como o "Público" é um diário de referência, de âmbito nacional, deve tratar-se de uma gralha.
Se isto tivesse sido publicado num jornal cá da terra era uma "calinada" e a malta gozava...

segunda-feira, 19 de junho de 2006

domingo, 18 de junho de 2006

Campeonato do Mundo


Na próxima quarta-feira, "A página do Mário" mostra aspectos do Campeonato do Mundo de Futebol, a decorrer na Alemanha.

terça-feira, 6 de junho de 2006

Entrevista com Manuel Sérgio


À CONVERSA COM MANUEL SÉRGIO, O “CATEDRÁTICO DO DESPORTO”

Académica já foi
um clube com alma


Uma conversa-entrevista-conversa sobre alta competição, o futebol português, José Mourinho, a função dos clubes, a Académica e o Belenenses, José Maria Pedroto, os mitos da prática desportiva, a final da Taça de Portugal de 1969, as igrejas e os estádios, Mário Campos, Scolari e... onde também se fala de Jesus Cristo


Conversar com Manuel Sérgio é um prazer. O filósofo esteve em Coimbra há dois meses e concedeu esta entrevista. No ambiente tranquilo de uma sala do Hotel Quinta das Lágrimas, em fim de tarde chuvoso, falámos de muitas facetas do Desporto. Volta e meia, a conversa derivou para a Académica. É notório o fascínio que a Briosa desperta no Professor. Foi por isso que decidimos publicar a entrevista só depois do campeonato ter terminado – para evitar eventuais “más interpretações”.

Manuel Sérgio, pessoa simples, já tem o nome gravado na História. Ele criou um novo paradigma do conhecimento: a Motricidade Humana. As suas ideias vão, a pouco e pouco, fazendo caminho pelo mundo fora: já são várias as universidade que têm faculdades de Motricidade Humana.
Há meses, José Mourinho surpreendeu tudo e todos ao afirmar que Manuel Sérgio era a pessoa que mais o tinha marcado – nem Van Gaal, nem Bobby Robson... O “mestre” principal era o pensador que, aos 22 anos, tendo como habilitações a 4.ª classe, trabalhava no Arsenal do Alfeite.
Foi com este mesmo homem, hoje professor universitário, sempre afável, que estivemos à conversa.

Como vamos de Desporto em Portugal?
Com a profissionalização, o desporto português melhorou. Há um apoio à alta competição que antigamente não existia. Há dinheiro, agora temos campeões olímpicos. Não são muitos, mas já temos alguns... No futebol, permanece uma mentira: assinam-se grandes contratos, mas depois não se paga.


Continuamos a ser o país do futebol...
Continuamos a ser porque já o éramos antes do 25 de Abril. Não mudou nada.

E continuamos a ser um país de desportistas de café e da televisão...
O Desporto não entrou na vida das pessoas, porque não é apresentado como ele é. O Desporto continua a servir para muita coisa... O Desporto é um espectáculo ao lado de outros espectáculos. Há um economicismo que domina toda a vida em sociedade e que também está presente no Desporto. Veja bem que as campanhas a promover o Desporto-Saúde, com a ideia de que o Desporto dá saúde, são promovidas pelas grandes multinacionais de material desportivo.

Felicidade é o primeiro factor de saúde

Depois há quem siga o conselho e acabe por morrer a praticar Desporto...
É verdade. Há quem não possa ser um homem-máquina. A Fundação Portuguesa de Cardiologia só diz mexa-se, não diz corra. Só diz mexa-se!... O problema é este: a saúde é um fenómeno social, político. A saúde não se obtém unicamente porque se corre, a saúde decorre de um país diferente, de uma sociedade diferente. Há uma frase elucidativa, de um médico chamado Victor Franco: “Nós, médicos, passamos a vida a dizer aos doentes que façam exercício físico, não comam açúcar, não comam sal, etc., e esquecemos de lhes dizer que o primeiro factor de saúde é que a vida tenha sentido”. A felicidade pessoal é o primeiro factor de saúde. E depois vêm os outros factores. Como a sociedade não dá saúde, põem-se as pessoas a correr. Embebedam-se as pessoas com essas tretas. A saúde tem de se obter através de uma sociedade diferente.

E quanto ao espectáculo desportivo?
O espectáculo desportivo não está mal. É o espectáculo de maior magia no mundo contemporâneo, as pessoas querem-no. Mas não se pode dar só espectáculos desportivos às pessoas, não se pode apenas embebedar as pessoas com espectáculos desportivos. As pessoas têm de ler, têm de saber. Não se pode apenas publicitar aquilo que as adormece, aquilo que anestesia.

Os grandes jogos, por exemplo...
Os grandes jogos não estão mal, mas não chegam. O Desporto não é mau, o que tem de mal o Desporto são as taras da sociedade – porque o Desporto actual reproduz e multiplica as taras da sociedade. Não é contrapoder ao poder das taras dominantes.

Continua a pensar isso?...
Continuo.

Portanto, valores no Desporto...
Os valores tradicionais do Desporto – camaradagem, generosidade... – encontram outros valores quando se chega à alta competição. Mas estes ‘outros valores’ estão no Desporto como estão na vida. O Desporto de Alta Competição é um dos produtos da sociedade altamente competitiva em que vivemos.

Pequenos clubes tentam imitar os grandes

O seu Belenenses está na alta competição?
Está, então não havia de estar?... Até a Académica!... Todos estes clubes estão em alta competição. Exige-se tudo dos jogadores, não sei é se se lhes paga sempre... Existe dedicação completa, profissionalismo. Mas não sei como é que os jogadores actuais estarão, do ponto de vista da saúde, quando chegarem aos 50 anos...

Se calhar, em piores condições físicas que o cidadão comum...
Não sei. Eles chamam-lhes ‘suplementos vitamínicos’, mas desconfia-se que seja outra coisa. Não sei... O Desporto de Alta Competição, no fundo, está a substituir o sagrado – este amor ao clube é uma coisa interessante. Enquanto os nossos avós (e mais atrás, até desde a Idade Média) nos deixaram igrejas, catedrais, nós vamos deixar campos de futebol, estádios... E a alguns até já lhes chamam catedrais.

Foi a única coisa que o Euro 2004 nos deixou?
Já ouvi altas figuras dizer que foi muito bom para o turismo.

Mas nós, adeptos, ficámos na mesma...
Na mesma, na mesma. É verdade que o espectáculo desportivo pode servir para o reforço da identidade nacional. Há um certo patriotismo que se está a perder e o desporto de alta competição pode servir para combater essa situação. Os jogadores sentem, quando entram em campo diz-se-lhes que vão cumprir algo ao serviço da Pátria.

E a nível local, o clube ainda é uma forma de identificação? Benfica, FC Porto e Sporting têm legiões de adeptos. E os pequenos clubes?... Estão condenados?
Os pequenos clubes pretendem imitar os grandes, mas esquecem-se de que estes, como têm muita gente, sempre conseguem ir vivendo. Mas o Sporting já quer vender quase todo o património, o Benfica praticamente não tem património... Os pequenos tentam imitar os grandes, mas têm muitas dificuldades. Nunca serão equipas para ganhar o campeonato nacional, talvez uma “Taça”...

Académica perdeu ligação à Universidade

Socialmente, os clubes distinguem-se? Por exemplo, a Académica ainda faz sentido como “clube diferente”? Há lugar no futebol profissional para uma equipa com uma filosofia própria?
Ainda há. A Académica, que já foi um clube com alma, comete um grave erro se a perde, porque a alma não pode estar sujeita às contigências. Eu sou do Belenenses, mas... a Académica entrava nos campos em Lisboa e era uma coisa diferente. Porque é que há-de perder isso?

Diferente porque vestia de preto?
Não, porque era diferente. Falava às pessoas de valores que as outras equipas indiscutivelmente não tinham. Até o futebol que jogava era diferente, era um futebol pensado, e via-se que havia qualquer coisa de diferente que unia os jogadores. A Académica perdeu isso e é mau para a Académica ter perdido muitos dos valores, quase que diria estupidamente. A Académica de hoje não pode ser igual à de 40 ou 50. Mas há uma alma, há valores que ainda hoje se podem manter, independentemente do tempo.

Como é que, estando em Lisboa, vê esse perder da alma?
Eu vejo isso porque a equipa já não aparece da mesma forma. A linguagem é outra, vê-se que os valores não são os mesmos através do discurso das pessoas. Antigamente, os jogadores reflectiam a Universidade de Coimbra, quase todos tiravam o seu curso. E havia qualquer coisa de diferente. É evidente que me é difícil, que via as coisas de fora, concretizar mais esta ideia. Mas, olhe!, naquela final da Taça de Portugal, em 1969, a que assisti no Jamor, a Académica reflectia, mais do que uma equipa de futebol, uma contestação ao Governo. Mais nenhuma equipa poderia fazer isso!

E ainda há espaço para uma equipa dessas no desporto profissional?
Claro que há. A Académica pode fazer isso. Aquilo que fez em 1969, assumindo uma atitude, pode continuar a fazê-lo.

Se calhar, deveria estar mais ligada à Universidade, aos estudantes...
Talvez. Não é por acaso que o Professor Queiró, que era um mestre eminente de Direito, era um homem que andava sempre com a Académica. Eu acho que nenhum mestre eminente de Direito anda hoje com a equipa da Associação Académica. Havia uma ligação à Universidade que hoje não existe.

Manuel António, Maló... eram todos bons!

Portanto, como pensador do Desporto, acha que ainda há lugar para uma Académica assim...
Sem dúvida. É claro que a Académica não pode jogar com botas de traves, porque a tecnologia avançou... O que digo é que o espírito que distinguia a Académica, até uma certa consciência política, pode continuar a existir.

Tem pena que não exista?
Tenho pena, logicamente. Não vou dizer nomes, mas hoje a Académica está constituída por um grupo de jogadores que não são Académica. A Académica foi das equipas, em todo o mundo, que melhor soube reproduzir a ideia de que no futebol é possível existir um ideal. Esta Académica perdeu-se porquê?

Poderia continuar?
Absolutamente. Pode ser continuada. A Associação Académica de Coimbra tem a obrigação de fazer do futebol um espaço diferente. Não pode ter claques a tentar imitar as claques do FC Porto, do Benfica ou do Sporting. Isso é uma vergonha, é nivelar por baixo.

A claque da Académica considera-se diferente...
Não sei. Não parece.

O Professor é um belenense que tem como segundo clube a Académica, tal como acontece com muita gente?
Eu digo-lhe com toda a franqueza: eu nasci em Belém, em frente do campo do Belenenses e, por isso, sou do Belenenses. Agora, eu olhava (muita gente olhava) para a Académica como portadora de um conceito diferente, que reflectia cultura, que reflectia política. Perdeu-se porquê? É um caso para os homens da Académica pensarem.

Dava uma boa tese...
Sim, sim. Dava uma grande tese de doutoramento. Uma coisa deste tipo: “Futebol da Académica – reflexo e projecto de uma Universidade”. Qualquer coisa assim, é um caso para pensar. Não faz sentido que a Académica tenha perdido essa dimensão. E... estou a lembrar-me... esses jogadores nem sequer eram inferiores aos outros. Eu não estou a dizer isto para que a Académica, coitadinha, acabe a jogar nos campeonatos distritais. Não...

O Manuel António era “Bola de Prata”...
Sim... O Maló era um dos grandes guarda-redes... Eram todos bons! Está provado: Florentino Pérez fez uma equipa de milhões e não ganhou mais por isso; é uma equipa que não é equipa, são “primas-donas”, são pessoas que andam a olhar para o próprio umbigo. Com narcisismo não se faz uma equipa.

José Mourinho tem sido simpático

Por isso é que o seu discípulo José Mourinho não quer “estrelas” na equipa...
Pois, ele é esperto. Mas eu nunca ensinei futebol a ninguém, ensinei outras coisas que ele diz que se aplicam ao futebol.

Continua a falar com ele todas a semanas?
Agora não, já não falo com ele há algum tempo. Ele tem a sua vida, eu tenho a minha... Venho agora dos Açores, ando de um lado para o outro... Mas de vez em quando falamos.

Ele tem sido muito simpático consigo: considera-o a pessoa que mais o influenciou na sua formação como técnico de futebol.
Ele tem sido muito simpático comigo.

Ou melhor, tem sido justo.
Não sei, não sei. Eu procuro não [aparecer muito]. Vou fazer 73 anos, já não tenho idade para exibicionismos pueris. Já não fica bem.

Já tem o nome da sua teoria gravado na fachada de diversas faculdades, tem um dos melhores treinadores do mundo a dizer que a pessoa que mais o marcou foi o Professor...
Há um outro que também tem muito contacto comigo, o Mariano Barreto. Está no Dínamo de Moscovo. Eu acredito muito nele. É uma pena ainda não lhe terem aberto portas, porque ele vai longe... Há ainda um outro, que foi meu assistente, que é um dos melhores escritores portugueses – o Gonçalo M. Tavares – que se doutorou há pouco na Faculdade de Motricidade Humana e fui o orientador da tese dele.

Vai ser também treinador de futebol?
Não, não tem nada a ver.

São os seus três “delfins”?
Dois no futebol e um na escrita. Mas há mais...

Académica pode ser um espaço diferente

Como vamos de Motricidade Humana pelo mundo fora?
As ideias que eu defendo aparecem como novas: o passar do físico à motricidade humana, à pessoa em movimento intencional. No Brasil há várias faculdades, em Portugal há vários cursos, em Espanha estão agora a nascer. E estão a começar a traduzir alguns textos meus para inglês, porque é fundamental. Há ideias que eu defendi há anos que agora se concretizam mesmo. Por exemplo, quando eu digo que não há educação física, mas sim educação de pessoas em movimento, queria acabar com a noção do homem-máquina.

O homem integral...
O homem integral em movimento. Eu julgo que a Académica, mesmo aquela Académica que começou com o Cândido de Oliveira (que não era bem um treinador de futebol e era treinador de futebol)...

... nos anos 50...
... nos anos 50, o Cândido que falava com os jogadores de vários aspectos de cultura, julgo que a Académica poderia voltar a ser assim. E criar um outro clima. Caso contrário, a Académica não tem razão para existir com o nome de Académica. Há uma tradição, a Académica nasceu de uma determinada maneira, embora eu não conheça bem a história. A Académica podia ser um anúncio de um novo futebol.

Novo comportamento, novos valores?
Novos valores. E eu, nisso, entrava. Era apaixonante. A Académica pode ser um espaço como não há. Mas... “não temos o Ronaldinho?”... Também aparecia!

Aos 73 anos, sente-se realizado? Já fez muita coisa...
Já fiz muita coisa. Mas não me sinto realizado. Há sempre hipóteses de fazer mais. Com as minhas fraquezas humanas (tenho a toda a hora a noção dos meus limites), nasci de gente muito pobre, trabalhei e estudei com gosto.

Aos 20 anos tinha a 4.ª classe...
Aos 22 anos tinha a 4.ª classe, depois comecei a estudar. Já trabalhava no Arsenal do Alfeite.

E foi por aí acima...
Fui por aí acima, a trabalhar, a estudar e na companhia da minha mulher, que foi uma grande companheira que eu nunca esquecerei. A vida familiar é fundamental.

José Maria Pedroto convidava-me para os estágios

Tem projectos?
Projectos há sempre. Eu penso como se tivesse 20 anos. Sinto isso.

Sente mesmo ou está a usar uma “frase feita”?
Sinto, sinto. Claro que do ponto de vista fisiológico, uma pessoa sente que a próstata não está boa, a gente tem doenças... [sorri] Uma pessoa chega à minha idade e sente que não é a mesma pessoa. Agora, quero escrever isto, fazer aquilo... continuo na mesma.

Então qual é o projecto que fervilha agora na sua cabeça?
Agora estou a escrever “Motricidade Humana – itinerários de um projecto”. Eu quero fazer a história da Motricidade Humana. Aquilo que pensei... Mas sou, acima do mais, um ensaísta e, como tal, estou sempre a escrever coisas, recebo muitos convites para ir aqui, ir ali...

Convite para Stamford Bridge, para ver jogar o Chelsea?...
Já tive, já tive, mas...

Não gosta do ambiente dos estádios ingleses?
Sim, mas não calhou ainda. O meu mundo é outro, sabe? Eu gosto muito de ver os jogos do meu Belenenses.

O seu mundo é o Restelo?
O meu mundo é o Restelo. Mas não é só isso... Eu sou presidente da parte universitária do Insituto Piaget, não tenho a vida tão livre como parece. Tenho obrigações. Para ir às conferências que me pedem, depois também não posso sair assim para dar um “salto” a Inglaterra.

O futebol nunca o chamou?
Não, não, não. A única pessoa que mais falou comigo, e que me deu a impressão de gostar de falar comigo, foi o José Maria Pedroto. É uma coisa interessante. Falávamos muito ao telefone. E até cheguei a ir para o estágio dos jogadores do FC Porto, cheguei a levar a minha mulher, o Pedroto levava a mulher dele, e eu falava com ele.

Qual era a sua função: aconselhá-lo?
Não, não. Eu nunca ensinei futebol a ninguém. O Pedroto, coisa curiosa, era um homem que sabia que não sabia. Uma coisa interessante... Era uma pessoa cursiosíssima, um indivíduo que gostava de saber e, então, gostava de me ouvir falar e levantava perguntas.

Sobre tudo?
Sim, sobre política, mesmo futebol. O Pedroto era muito interessante. Eu não sei se terá havido mais alguém no futebol com aquela curiosidade. Eu não conheci o Cândido de Oliveira, quem escreveu sobre ele foi o Homero Serpa...

Jogador tem de sentir que serve um ideal

O Homero chegou a ser treinador do Belenenses...
É uma situação curiosa. O Belenenses estava para descer de divisão e o Acácio Rosa, aí por 1969 ou 1970, foi buscar o pai do José Mourinho, que era nosso guarda-redes [Félix Mourinho], e o Homero Serpa, um jornalista, para orientarem a equipa. E o Belenenses não desceu de divisão! Isto deu-me muito que pensar, muito que pensar... É o homem que triunfa no treinador. O treinador triunfa se é, ou não é, homem. Isso é a força do José Mourinho. O líder é o grande treinador. Na alta competição, o líder é uma espécie de general; é evidente que tem de saber qualquer coisa de futebol... Tem de ser perspicaz, conhecer bem os seus jogadores. Mas isso quase todos sabem fazer, mas depois falta-lhes o resto: formar um grupo que saiba entrar em campo e ter objectivos. O jogador, acima de tudo, tem de entrar em campo e sentir que está a servir um ideal em que acredita.

O dinheiro?...
Não sei. Talvez até qualquer coisa de transcendente, mais do que o dinheiro. O jogador tem de entrar em campo sem pensar no dinheiro. É evidente que ele tem de viver com dinheiro, mas tem de ter mais qualquer coisa: o orgulho, o “vamos ganhar!”, o “tu és jogador de futebol e quanto melhor jogares mais serás conhecido”... É a transcendência, é a superação. O jogador tem de entrar em campo convencido que o faz ao serviço de um valor transcendente.

Será por isso que Scolari reza com os jogadores antes dos jogos?
No Brasil usa-se muito isso. No Brasil, o catolicismo entra no balneário. Ele [Scolari] pratica o catolicismo à sua maneira. Vai à missa.

Estamos bem entregues, com Scloari?
Não sei. Ele não faz menos do que outros têm feito. Não sei... Não conheço verdadeiramente o trabalho dele. Veja bem a facilidade com que chegámos à fase final do Campeonato do Mundo.

E vai correr bem?
Pode correr bem porque nós temos grandes jogadores de futebol.

Velhotes já, alguns...
O Figo é que é velho, o Cristiano tem 21.

Mário Campos foi dos maiores “extremos” de sempre

Frequenta os estádios?
Às vezes. Quando o meu amigo João Santos era vivo, ele costumava receber dois bilhetes e eu ia com ele, porque a mulher nunca ia. E houve outra fase da minha vida em que, de 15 em 15 dias, ia ao futebol. Olhe, há um rapaz, o Mário Campos, que foi dos maiores extremos-direitos que eu vi no futebol português, de sempre! Vi-o fazer exibições que nunca mais esqueci.

Bem, estamos a chegar ao fim da conversa...
Sabe uma coisa?... Gostava muito que o futebol pudesse ser um motor de transformação da sociedade. Com a força que tem, ser o gérmen de qualquer coisa...

Mas diz o contrário...
É verdade, o futebol actual reproduz e multiplica as taras da sociedade. Julgo que a Académica tinha condições invulgares para ser esse motor...

Mas o discurso mais ouvido é de que os tempos são outros e que é preciso ganhar jogos...
Ninguém está a dizer que não é preciso ganhar jogos. O jogador tem que se sentir homem de um tempo e tem de lutar para transformar esse tempo. Ele é jogador de futebol, com certeza. Mas mesmo como jogador de futebol pode fazer isso.

Isso supõe uma formação cultural do jogador...
Mais do que isso: toda a organização do clube tem de estar orientada nesse sentido. Tem de haver uma nova cultura, um novo discurso, tem de haver objectivos. Partindo daquilo que o clube é, transformá-lo, visando a transformação da própria sociedade. Os clubes devem preparar-se para não fazerem só bestas esplêndidas, mas para fazerem pessooas de bem. Acho que isto não é só retórica.

O que é que isso tem a ver com o futebol e os clubes...
Há valores sem os quais se torna impossível viver. Mesmo hoje, esses valores têm de enformar a sociedade. Dizem: “Ai isso era antigamente...”. Então nós, hoje, só devemos consumir, não podemos pensar?

Há meia dúzia de anos, a Académica entrou em Alvalade com uma tarja a afirmar “Não à co-incineração”. É este tipo de comportamentos que defende?
Claro, claro. É evidente que se eu estiver dentro de um clube que pensa de determinada maneira, eu também começo a pensar. Quando entramos numa igreja, sentimos qualquer coisa de diferente, agimos de maneira diferente.

E é um não-crente que está a falar...
Não, não. Eu sou cristão, profundamente cristão. A figura que eu mais admiro na História é Cristo. Jesus Cristo trouxe uma mensagem que põe Deus perto de nós. É esta a grande novidade do cristianismo, que S. Francisco de Assis interpretou de forma admirável. Onde está Deus?... No outro. A grande mensagem é esta: Deus está no nosso semelhante.


*******

Homem de vários mundos

Conheci o Professor Manuel Sérgio há cerca de 15 anos, por altura do I (e único) Curso de Auditores de Informação Desportiva. Durante vários meses, o Centro de Estágo da Cruz Quebrada era o destino, dois dias por semana.
Manuel Sérgio coordenava o curso e as noites de segunda-feira constituíam uma “oportunidade de ouro” de formação extra-curricular para quem, como eu, estava alojado no Jamor. Por vezes, ser da Província é uma vantagem em Lisboa...
Ficámos longas horas naqueles sofás. Um dia, deu-me boleia para Lisboa. O destino era Santa Apolónia. A certa altura, o convite: “Venha conhecer uma amiga minha!”.
Entrámos no Hotel Tivoli, na Avenida da Liberdade. À espera, para o chá da tarde, estava Beatriz Costa.
Feitas as apresentações, começaram os dois a conversar. Foram duas horas inesquecíveis - um diálogo ao mesmo tempo simples e profundo, entre duas pessoas simples, verdadeiras e cultas, deslumbradas com o mundo e a vida, um diálogo sem formalismos bacocos, a provar que todos temos algo para ensinar e para aprender.
Nunca mais esqueci aquele fim de tarde. Devo-lhe esse momento mágico.

M. M.




**** FRASES

O Desporto actual reproduz e multiplica as taras da sociedade

O Professor Queiró, mestre eminente de Direito, andava sempre com a Académica. Eu acho que nenhum mestre eminente de Direito anda hoje com a equipa da Associação Académica...

A Académica foi das equipas, em todo o mundo, que melhor soube reproduzir a ideia de que no futebol é possível existir um ideal. Esta Académica perdeu-se porquê?

A Académica podia ser um anúncio de um novo futebol.

O treinador triunfa se é, ou não é, homem. Isso é a força do José Mourinho. O líder é o grande treinador. Na alta competição, o líder é uma espécie de general; é evidente que tem de saber qualquer coisa de futebol...

O jogador de futebol tem de entrar em campo convencido que o faz ao serviço de um valor transcendente – é esse o segredo de José Mourinho.

Enquanto os nossos avós (desde a Idade Média...) nos deixaram igrejas, catedrais, nós vamos deixar campos de futebol, estádios. E a alguns até já lhes chamam catedrais.

quinta-feira, 25 de maio de 2006

Queima das Fitas


A cerveja venceu definitivamente o espumoso. E se antigamente as garrafas vazias eram disputadas por quem assistia ao cortejo, agora o vasilhame é atirado para debaixo dos carros ou partido de imediato. Apesar dos esforços dos serviços de limpeza, a verdade é que a Alta continua semeada de vidros e vidrinhos, fundos e gargalos de garrafa. Junto aos Arcos do Jardim o espectáculo é terceiro-mundista, colocando em risco a segurança, sobretudo de crianças e idosos. E é também péssimo “cartão de visita”.

Jovens

O futebol jovem do distrito está de parabéns. O U. Coimbra subiu à 1.ª divisão júnior, onde se manteve a Académica. Na 2.ª divisão, Naval e Vigor vão continuar. Em juvenis, a Naval juntou-se à Académica e ao U. Coimbra no campeonato nacional. Em iniciados, Académica, U. Coimbra, Naval, Esperança e Marialvas (que ficou à frente do Adémia por 1 ponto) marcam presença no campeonato nacional. A época de 2006/2007 vai entrar na história por tão elevado número de equipas jovens a jogarem ao mais alto nível. Das 12, oito são da cidade do distrito! O que não seria se os clubes tivessem melhores condições de treino...

Trânsito

Se é fácil chegar ao “Fórum”, passou a ser penoso circular na zona do Estádio Universitário. Com as alterações introduzidas, entrar na rotunda do Portugal dos Pequenitos é sinónimo de perigo. Aqui, se quiser virar para a direita, o grau de risco aumenta muitíssimo, porque tem um espaço reduzido para o fazer e os veículos oriundos de Santa Clara passaram a ter prioridade. Por outro lado, circular na marginal do Mondego, sem marcações no solo e com estacionamento dos dois lados da via, é igualmente perigoso. Situações a rever com urgência, porque afectam milhares de pessoas.

Diálogo

– Já falou com Pinto da Costa sobre a renovação de Scolari?
– Não. Ele também não falou comigo ao renovar com Adriaanse.
(Gilberto Madaíl, presidente da FPF, em entrevista ao Correio da Manhã)

A minha equipa


A “minha equipa” (os juvenis do Vigor, como expliquei no n.º 1 deste jornal) terminou a fase final do campeonato distrital no 5.º lugar, com 10 pontos, fruto de 2 vitórias (ao Esperança), 4 empates (todos em casa) e 4 derrotas (todas em campo alheio, duas delas por 1-0). A Naval sagrou-se campeã. Frente ao campeão, a “minha equipa” perdeu na Figueira (1-0) e empatou em Fala (1-1). Nada mau para uma equipa formada essencialmente por jovens de 16 anos que defrontaram jovens (quase todos) de 17 anos. O melhor resultado conseguido pelo clube é, porém, o início das obras para colocação de um piso sintético.

Hino da Selecção

Pergunta um leitor, por e-mail, a minha opinião sobre o “hino da selecção”. Confesso que não conheço o hino. Não posso, por isso, ter (ainda) opinião sobre o assunto. Uma coisa, porém, posso já afirmar: o meu hino da selecção é (sempre foi) o hino nacional. Há poucas coisas mais bonitas do que um estádio a entoar “A Portuguesa”. [E se depois pudermos ver, por exemplo, um Portugal-Rússia a terminar com 7-1, como tive o prazer de assistir há ano e meio em Alvalade com outros 27.257 adeptos, então temos um “prato” de futebol perfeito!].

Futebol Jovem em "Jornada"


O Departamento de Futebol Jovem da Académica promoveu, sábado à tarde, uma interessante “conversa” sobre a prática da modalidade nas camadas mais jovens. Técnicos dos escalões de escolas e infantis apresentaram, com grande detalhe, os programas de treino e as preocupações educativas. Nelo Vingada destacou a necessidade de proporcionar às crianças a prática informal – como antigamente era possível na rua ou na aldeia. Jogar à bola – apenas. E foi sublinhada a ideia que o mais importante é que o futebol contribua para a formação integral do cidadão. Nem mais.

Protocolo

Anda por aí alguma polémica devido ao facto das alterações ao Protocolo de Estado afastarem o cardeal-patriarca. É mais uma tentativa (inglória, como tantas outras…) de querer limitar a Igreja às paredes dos templos. Por outro lado, confesso que sempre me fez uma certa confusão ver, nas igrejas, nas primeiras filas, lugares reservados para “políticos em serviço”.

Frase

“Desde a chegada de Scolari, criou-se um grupo bastante fechado que não permite haver os problemas de outros anos”.
(Pauleta, domingo passado, em Évora)

sexta-feira, 12 de maio de 2006

ACM - Explicação

Transcrevemos o texto hoje recebido
no endereço
apaginadomario@gmail.com,
intitulado "Explicação" e assinado
pelo Dr. José Castanheira,
vice-presidente da Direcção
da Associação Cristã da Mocidade (ACM) de Coimbra:



Li no jornal Centro do dia 10 a 24 de Maio, na Página do Mário, a propósito do texto “ACM cá e lá”, a nota do Mário e o seu lamento relativo ao facto de o atleta João Neto, que conquistou recentemente a única medalha de ouro portuguesa na Taça do Mundo em Judo, pertencer à ACM de Torres Novas e não à ACM de Coimbra, localidade onde nasceu, reside, estuda e treina.

E li a mensagem do Secretário-Geral da ACM de Coimbra, e o subsequente “convite” do Mário para que a situação seja devidamente explicada.

Entendo agora que, de facto, levantada tal questão no novo blog do Mário, deve a mesma ser devidamente esclarecida, que não está.

Sinto-me eu na obrigação de o fazer, porquanto, então na qualidade de Vice-Presidente da Direcção da ACM de Coimbra e de Presidente do Departamento de Desporto Federado da ACM de Coimbra, fui um dos que se viu a braços com a resolução de um grave problema que se deparou há anos à Secção de Judo da ACM de Coimbra – a incompatibilidade do Presidente da Direcção da Associação Distrital de Judo de Coimbra, Sr. Jorge Fernandes, com a Secção de Judo da ACM de Coimbra, com os inerentes prejuízos para a Secção e principalmente para os seus atletas.

A resolução do problema não foi fácil, nem rápida, e passou por várias fases.

Começaram por se fazer diligências junto do Presidente da Direcção da Associação Distrital de Judo de Coimbra, através do Senhor Presidente da Federação Portuguesa de Judo (lembro-me de me ter deslocado propositadamente a Lisboa, à Federação, a acompanhar o Senhor Prof. Canha, Presidente da Direcção da ACM de Coimbra, a fim de expormos ao Presidente da Federação as nossas preocupações e a nossa vontade de resolvermos o problema amigavelmente).

Como tais diligências não surtiram qualquer efeito, ou não surtiram o efeito pretendido, e como não se vislumbraram então outras soluções para de imediato se resolver o problema, principalmente o dos atletas, sendo certo que estes mereciam uma decisão rápida por parte da nossa Direcção, e como na altura (estávamos no ano de 1999) tinha já a Direcção da ACM de Coimbra projectos para desenvolver algumas actividades na área de Santarém, optou-se por constituir de imediato uma Delegação da ACM de Coimbra em Torres Novas, tendo sido constituída em Junho de 1999 a “Associação Cristã da Mocidade de Coimbra (Torres Novas)”, na qual se inscreveram de imediato, e se filiaram naturalmente através da Associação Distrital de Judo de Santarém, os atletas federados.

Por esta via resolveram-se dois problemas de uma assentada: concretizaram-se os projectos da Direcção de expandir as suas actividades à área de Torres Novas, e resolveu-se de imediato, embora não de forma definitiva, o problema dos atletas da Secção de Judo.

Com o passar dos anos entendeu a Direcção da ACM de Coimbra, sempre em perfeita sintonia com a sua Secção de Judo e respectivos atletas, que estariam criadas condições para o “regresso” dos seus atletas à Associação de Coimbra, tal como era sua vontade e também da nossa Direcção – e assim se procedeu, passando todos os atletas a ficar filiados através da Associação de Coimbra.

Mas durou pouco tempo a ilusão de todos – rapidamente se constatou que a incompatibilidade entre o Sr. Jorge Fernandes e a nossa Secção de Judo era inultrapassável, quer pela via negocial ou do diálogo, quer pela via judicial (que também encetámos sem êxito), quer mesmo pela via eleitoral (através da qual não conseguimos mobilizar Clubes – dos muitos que se identificavam com as nossas preocupações – em número suficiente).

De onde resultou que, sabendo reconhecer a “derrota”, e não tendo outras armas para esgrimir, a Direcção da ACM de Coimbra, novamente em sintonia total com a sua Secção e os seus atletas, acabou recentemente por fazer “regressar” os seus atletas, entre eles também o João Neto, não à ACM (Torres Novas) como erradamente se terá consignado no “Diário de Notícias” e no “Record”, mas à ACM de Coimbra (Torres Novas).

Não sendo naturalmente a melhor solução, e justificando sem dúvida o lamento do nosso Amigo Mário, lamento esse que antes de ser dele já era nosso há muitos anos, é esta por agora a solução possível ou a única que deixa a Secção de Judo e a Direcção da ACM de Coimbra de consciência perfeitamente tranquila – por ter conseguido por esta via preservar os direitos e as legítimas expectativas dos seus atletas, objectivo este o único que sempre nos norteou ao longo de todos estes anos, na procura das melhores condições de treino e de participação em provas nacionais e internacionais, o que manifestamente não seria possível conseguir se os atletas continuassem na Associação de Coimbra.

Em conclusão: a Direcção de uma Associação como a nossa tem que ser realista, saber reconhecer as derrotas e, com a objectividade que se lhe impõe, saber adoptar as soluções que melhor sirvam os interesses dos seus atletas.

Para terminar: não se trata, afinal, na minha modesta opinião, de uma questão assim tão estranha ou tão pouco vista – muito pelo contrário, quem tenha feito da vida associativa uma prática de muitos anos, como é o nosso caso, sabe de inúmeros conflitos que natural e regularmente surgem entre Clubes e Associações – uns têm solução fácil (e bom seria que fossem todos assim!), ouros têm solução difícil, e outros ainda não têm solução (é esse o nosso caso agora em análise!).

Finalmente ainda: entendo que de nada adianta alimentar as apontadas divergências associativas, e só me dispus a tecer os presentes esclarecimentos na sequência do “convite” que o Amigo Mário faz no seu referido apontamento – e muito bem, pois que lhe incumbe sem dúvida informar devidamente os seus leitores.

Boa sorte para o seu novo blog! Um abraço.

José Castanheira
(Vice-Presidente da Direcção da ACM de Coimbra)



Breve comentário

Refere o Dr. José Castanheira, a quem agradeço a amabilidade desta carta (que ajuda a compreender o motivo de um campeão de Coimbra estar filiado na Associação de Judo de Santarém), que "a incompatibilidade entre o Sr. Jorge Fernandes e a nossa Secção de Judo [é] inultrapassável, quer pela via negocial ou do diálogo, quer pela via judicial (que também encetámos sem êxito), quer mesmo pela via eleitoral".

Esta referência suscita diversas interrogações. Coloco aqui apenas duas:

A. - Uma associação distrital, qualquer que ela seja, serve para unir ou para dividir?

B. - Não significa nada para uma associação distrital o facto do seu melhor atleta estar filiado fora do seu âmbito geográfico - mais do que isso, fora do seu "espaço natural"?

É tempo de reflectir seriamente sobre esta situação. Afinal de contas, quem sai prejudicado é o Desporto de Coimbra.
O prestígio da própria cidade está em jogo - a ser derrotado num tapete. E isso é inaceitável.


quarta-feira, 10 de maio de 2006

Postal de Coimbra para JPP

No dia 10 de Abril, José Pacheco Pereira (JPP) esteve em Coimbra e escreveu no seu blog um texto intitulado “Lendo o ‘Le Monde Diplomatique’, junto ao Mondego, num dia cinzento, ao lado do barco ‘Basófias’”. Só.
Entre outras coisas, revelou-nos esta preciosidade: “Sempre achei que devia haver algo de muito errado numa cidade em que os estudantes gostam de andar vestidos à padre. Passam alguns, negros e poeirentos”.
Em homenagem à capacidade observadora de JPP, publica-se uma imagem captada sexta-feira ao fim da tarde na Feira do Livro.
Sem mais palavras.
Espero que goste.

Valeu a pena


Aí está a Queima das Fitas em ambiente de alegria.
Já houve tempos em que não foi assim.
Depois do 25 de Abril, a “nomenclatura” que se instalou no poder decretou que as tradições académicas eram fascistas. E o fado também. Os sons de Coimbra afastados da rádio.
Tempos de luta.
Vestir a capa-e-batina era meio caminho andado para a agressão cobarde, numa qualquer esquina da Alta. Ou para, ao entrar na sala de aula, ouvir exclamar que “hoje, temos um corvo cá dentro”. Ou ver o carro do cortejo incendiado ao chegar à Praça.
As primeiras serenatas foram manifestações de resistência. Apesar das garrafas de vidro lançadas para o meio da multidão. Estar ali era fundamental. Cantava-se (gritava-se!), a uma só voz, a parte final da “Trova do vento que passa”.
Coimbra, amordaçada no seu mais profundo sentir, saiu à rua e fez da Semana Académica de 1979 e da Queima das Fitas de 1980 dois momentos grandiosos - únicos.
Como já tinha sucedido, aliás, com o regresso do fado à escadaria da Sé Velha em 1978, pelas mãos de Pinho Brojo e António Portugal, dois socialistas corajosos.
Hoje a tradição percorre o caminho natural do que está enraizado no coração da comunidade. Alegro-me com a alegria da festa, emociono-me com a felicidade dos jovens e de quem os acompanha. Sinto uma grande paz interior, misturada com algum orgulho por ter participado nessas lutas.
(Ainda na semana passada, na Sé Nova, o Eduardo Nunes disse ter encontrado nos arquivos uma foto de 1979, do “Baile de Gala” no Pavilhão dos Olivais. Prometeu guardá-la, prometi ir buscá-la um dia destes…).
Não voltei a usar capa-e-batina depois de 1980. Mas continua guardada, pronta a vestir.

O olhar de Victor Costa


Foi assim que o artista plástico Victor Costa viu a permanência da Académica na I Liga e a descida do Vitória de Guimarães. Contas antigas...

ACM cá e lá: lamentar não é suficiente

Recebemos (aqui, no blog) a seguinte mensagem:

Um filósofo defendeu um dia que todo o argumentador que se preze deve problematizar em torno de três momentos: investigação, análise e divulgação. Deixando de lado a divulgação (da qual somos exemplo aqui), a investigação e análise podem ser entendidas como a capacidade de indagar, decompor e explicar a realidade que nos circunda, para se poderem expor conclusões ou hipóteses com algum rigor. Lamentar uma situação não é suficiente.
Quando se divulga com espanto que uma medalha foi conquistada pelo judoca conimbricense João Neto – que nasceu, reside, estuda e treina em Coimbra – em representação da ACM de uma cidade que não a sua (na qual está inscrito), convém investigar e analisar as causas que terão levado a tão bizarra circunstância.
Por que razão é preciso investigar, analisar e só depois divulgar? Certamente porque já na Antiguidade os gregos sabiam que há uma grande diferença entre ter opiniões e possuir conhecimento. Podemos ter opiniões correctas simplesmente por sorte, ou então por fé, mas elas não constituem "saber", por carecerem de fundamento racional. Quando o nosso objectivo é conhecer com seriedade, não nos podemos ficar no nível declarativo, devemos antes pesquisar, destrinçar e aí sim, manifestar. Os acemistas agradecemos profundamente que assim seja feito.
Graciano Marques
(Secretário-Geral da ACM de Coimbra)



Na última edição publiquei uma breve nota sobre o facto do judoca conimbricense João Neto (medalha de ouro na “Taça do Mundo”) estar inscrito na ACM de Torres Novas, no distrito de Santarém. A informação é correcta.
Terminei o texto (reproduzido em cima) com um simples comentário: “O meu lamento”.
Como não devo ter sido claro, desenvolvo a ideia: o que fica para a história, nos registos oficiais, é uma medalha de ouro conquistada por um emblema do Ribatejo. E este facto nada acrescenta ao prestígio do desporto de Coimbra.
Quanto aos motivos da situação do atleta, quem melhor do que a ACM para os explicar? É pena que não o tenha feito. Mas o jornal estará sempre aberto ao esclarecimento. Como se escreveu no n.º 1 do “Centro”, estas páginas são espaços de liberdade.

M. M.

quarta-feira, 26 de abril de 2006

Crónica de um tempo doido...


Segurança, códigos e passwords


Por tudo e por nada, as novas tecnologias exigem-nos um esforço de memória. Começa a ser cansativo.

Se desligou o telemóvel para não ser acordado com um hipotético telefonema durante a noite, de manhã vê-se obrigado a inserir o código. É o primeiro de uma série de números bem guardados na memória, já que é desaconselhável escrevê-los por razões de segurança.
Há quem precise de outro código para ligar a ignição do automóvel; felizmente não são muitos. Mas se vai para entrar no café e repara que não traz dinheiro, a solução é ir ao multibanco mesmo ao lado e levantar umas notas. Outro código.
De vez em quando a passagem pelo posto de abastecimento de combustíveis é indispensável. Depósito cheio, cartão de crédito na mão e... outro código!
Ainda não são 9h00 e já a memória teve de recordar três códigos – diferentes, pois claro, por razões de segurança.
Chega ao escritório, abre a porta e, rapidamente, deve desligar o alarme. Adivinharam! Outro código. E vão quatro.
Para consultar o correio electrónico, o computador pede-lhe uma “password”. Uma, claro, por cada conta de correio – e convém que sejam diferentes, ainda e sempre por razões de segurança. Há um ou outro “site” que, para deixar consultá-lo, obriga a registo e – adivinharam, outra vez!... – a inserir “username” e “password”. Rapidamente o número destas atinge o dos códigos.
Imagine, agora, que tem um pagamento qualquer para efectuar. Não, não precisa de voltar ao multibanco. Abre a página do seu banco e prepara-se para pagar pela internet: entidade, referência, montante e... “password” e código pessoal.
Na lista de números indispensáveis pode juntar outros que, de tão solicitados, convém igualmente ter memorizado: o número do bilhete de identidade, o do cartão de contribuinte e, já agora, o número de contribuinte da empresa para a qual trabalha, porque volta e meia é preciso pedir um recibo de uma compra. Números e mais números.
Com um bocado de sorte, se gosta de apostar no totoloto, ainda é capaz de memorizar a chave preferida: uma sequência de seis algarismos, pelo menos. E no euromilhões a mesma coisa, embora aqui só sejam necessários cinco algarismos. Para registar a aposta tem duas opções: ou num posto tradicional ou... na internet. Neste último caso, porém, deve estar registado no portal da Santa Casa. Adivinhou: é indispensável ter um nome de utilizador e um código com, pelo menos, oito algarismos e letras!
Se no final desta odisseia se sentir adoentado, o que é perfeitamente natural, há uma solução fácil: pegue no telefone, ligue para o Centro de Saúde (outro número que convém ter sempre por perto) e marque uma consulta com o seu médico de família. Vão pedir-lhe o número de utente, mas não sentirá quaisquer dificuldades em satisfazer a pretensão: abre a carteira, procura o cartão entre muitos outros e dita o número a quem o está a atender. Fica marcada.
Chegado à consulta, explique a situação com todos os pormenores. Depois faça só uma pergunta: “Ó sôtor, não há um medicamento que me livre destes números todos, códigos, nomes de utilizador e ‘passwords’?”. Atenção, porém: quando questionar o médico convém que o faça com a maior tranquilidade, sem sinais de desespero, caso contrário ele é capaz de lhe sugerir a ida a uma consulta de especialidade – a de psiquiatria, claro.
Bem vistas as coisas, essa é capaz de ser mesmo a melhor solução. Com tantos números, códigos e “passwords”, o mundo está a ficar maluco.

Académica derrotada sem dó mas com Paixão



O Sporting de Braga derrotou anteontem à noite, sem dó nem piedade, a Académica por 3-0, no Estádio Cidade de Coimbra. Frechaut, de cabeça, e João Tomás, que bisou com os pés, apontaram os golos.
A Briosa até começou bem, mas aos 21 minutos, num lance rápido de contra-ataque, os bracarenses adiantaram-se no marcador. Nada tinham feito até então para justificar a vantagem, mas o futebol é assim.
Depois, então sim, o Sp. Braga mostrou que é de outro campeonato e controlou com grande à-vontade até ao intervalo a (ténue) reacção da Académica.
Reatado o encontro, a Briosa surgiu determinada. Tentava, tentava, mas não conseguia acertar com a baliza contrária. Mostrava grande vontade e – quem sabe? – poderia conseguir engendrar um lance mais inspirado e empatar o jogo.
Estavam as coisas neste pé quando Bruno Paixão, um árbitro com altos e baixos (mais baixos do que altos, é verdade), decidiu a questão do vencedor. Joeano, mais uma vez ele e mais uma vez em velocidade, capta a bola, foge a um e a outro, prepara-se para entrar na área e é carregado pelas costas. Sem discussão possível. Toda a gente viu menos o árbitro, o lance prosseguiu e o Sp. Braga marcou: 2-0, estava “terminado” o jogo e ainda faltava mais de meia hora para jogar.
Até final, João Tomás marcou um golo quase impossível, mas de grande categoria. Luís Filipe (outro ex-Académica) também jogou muito bem.
Sem categoria anda o futebol português, com os erros de arbitragem a sucederem-se, qual deles o mais escandaloso. Os responsáveis (da Liga e dos árbitros) bem podem limpar as mãos à parede.

Derrota na Lousã


A minha equipa (2)

Os juvenis do Vigor perderam sábado na Lousã, por 4-2, num jogo que teve das piores arbitragens que vi até hoje. Tão má só a de José Pratas num U. Leiria-Académica, que me levou a escrever que “até o castelo corou de vergonha”. Na imagem, o golo do empate do Vigor (2-2), já depois de vários “amarelos” e de um penalty surrealista. Assim, o título distrital deve ir a caminho da Figueira da Foz.

PS - Também no sábado, o FC Porto sagrou-se campeão nacional sénior, com um penalty-fantasma e um final de jogo terceiro-mundista. Pobre futebol.

Amigos no blog

O aparecimento desta página suscitou três comentários no blog. Mas, afinal, mais do que comentários foram expressões de amizade.
Dois anónimos aproveitaram para recordar experiências do trabalho no “Diário As Beiras”.
Um deles escreveu que “Parece que foi ontem, mas já lá vão 10 anos. Dez anos!!!... Não são 10 dias, 10 meses nem 10 semanas. Pois não! São 10 anos!...”. Outro deixou uma exlamação: “Ai que saudades”.
O terceiro comentador, identificado, exprimiu-se assim: “Boa sorte, meu amigo... que o mesmo é dizer bons ventos. Vemo-nos aqui e ao Centro. Sempre!” (Maló de Abreu).
Um abraço a todos.

Momento único

Na primeira quinta-feira de Maio, quase-quase em tempo de Queima das Fitas, à uma hora, dois minutos e três segundos, o tempo e a data serão estes: 01:02:03 04/05/06.
Esta sequência numérica não irá repetir-se tão cedo...

ACM cá e lá



O judoca João Neto estuda e treina em Coimbra. Recentemente conquistou a única medalha de ouro portuguesa na Taça do Mundo disputada em Lisboa. Compro o “Diário de Notícias” e o “Record” e leio em ambos o segunte: “João Neto da ACM (Torres Novas)”. Telefono para a Federação Portuguesa de Judo e confirmo o que já suspeitava: o atleta não está inscrito em Coimbra.
O meu lamento.

Explicação

Este blog é - ao que sei - o primeiro que é também uma página de jornal; no caso, no quinzenário "Centro", que se publica em Coimbra.

Se quiser comentar qualquer assunto envie a sua opinião através do endereço apaginadomario@gmail.com.

Assim, os textos deste blog são impressos em papel de jornal. Os comentários aqui deixados poderão lá ser reproduzidos.

terça-feira, 11 de abril de 2006

A minha equipa










Vitória natural em casa
Simpatizo com vários clubes e até sou sócio de uma mão-cheia deles. Mas equipas – aquilo que considero verdadeiras paixões - só tenho duas. Uma é antiga: a selecção nacional. A outra é mais recente: a equipa onde joga o meu filho.
Nos últimos oito anos, só por duas vezes é que não vi jogar esta última, porque me encontrava fora de Portugal. Sábado ou domingo, seja dia de chuva ou sol, o jogo perto ou longe, de manhã ou tarde, faço os possíveis e impossíveis por não perder um jogo. E lá estou. Pelo jogo... e pelo que se segue (mas isso são contas para outra ocasião).
Esta época, a minha equipa veste de verde-e-branco: os juvenis do Vigor. Bem acompanhada e acarinhada, a rapaziada tem feito a nível desportivo uma época interessante: venceu a Série B, está a disputar a Fase Final do campeonato distrital. E tudo ainda pode acontecer…
Começaram por perder na Figueira da Foz, com a Naval (0-1), empataram em Fala com o Marialvas (3-3), foram perder a Touriz (0-1) e venceram com facilidade o Esperança (3-2) no último sábado. As duas derrotas e o empate poderiam ter sido vitórias e faltam ainda seis jogos. Por isso, tudo ainda é possível. Darei conta do que for sucedendo.
Quanto à paixão antiga, já está tudo tratado: no dia 11 de Junho, se Deus quiser, lá estarei com o Manuel Arnaut em Colónia, para o Portugal-Angola. Às 21h00 em ponto.

TVI: bom e mau

Gosto do futebol em directo na TVI. Aliás, para mim, a TVI serve para isso mesmo: para ver a bola – só quando há futebol é que carrego no “4” do telecomando. As transmissões são dinâmicas, o João Querido Manha continua em grande. Mas nem tudo são rosas, percebi esta semana. Por causa do Académica-Naval, decidi ver o “Domingo Desportivo” deles e... nunca mais! Começou era quase 1 da manhã de segunda-feira, à 1h20 iniciaram a análise do Sporting-FC Porto que terminara há mais de 26 horas(!!!). Já passava da 1h30 quando mostraram os quatro golos do Calhabé. Só os golos. Não volto a ficar acordado.

Latapy vai ao “Mundial”

Tem 37 anos e tudo indica que será o jogador mais velho a disputar o “Mundial” da Alemanha, dentro de dois meses. Russel Latapy, de Trinidad e Tobago, começou na Académica a aventura europeia. Bom jogador, prosseguiu a carreira no Boavista e FC Porto. Depois, o salto para a Escócia, onde defendeu as cores do Hibernian, Glasgow Rangers e Dundee United. Agora, ainda no futebol escocês, está no Falkri, onde é jogador-treinador.

Académica-Naval ao vivo mas à distância

“Dispensado” Joeano
marcou duas vezes







Hoje em dia, pode acompanhar
os jogos da Académica em directo em qualquer ponto do planeta. Basta que tenha um computador e uma ligação à internet. Foi assim que “vi” o polémico Académica-Naval.












Faltava um quarto de hora. Liguei o computador, fui à procura da Rádio Universidade de Coimbra (www.ruc. pt) e a emissão on-line lá estava, com excelente qualidade. Depois procurei a página dos “Pardalitos do Choupal” (http://pardalitosdochoupal.blogspot.com) e o comentário do jogo em directo era prometido. Não precisava de mais nada para “ver” o jogo. E assim foi.
Os relatos da RUC têm piada, espírito académico, irreverência coimbrã. Por vezes, até em excesso. Já não os sintonizava desde a época passada, mas desta feita as coisas estiveram equilibradas, com o relato de João Quaresma (apresentado como “mago da comunicação social”) e as intervenções do repórter de pista José Carlos Barreto. Vale a pena ouvi-los, sabem do que falam. Dou apenas um exemplo: ainda antes do jogo começar, um eles disse que “os adeptos vão perceber que a Académica queria ir buscar Lito e não Fernando ao Moreirense”. E não é verdade que o “navalista” Lito foi mesmo um dos melhores em campo, enquanto o “académico” Fernando nada fez digno de registo?!
Começa o jogo. Joeano marcou aos 4 minutos, de cabeça, após cruzamento de N’Doye, e logo o homem da pista pediu: “Por favor, prof. Nelo Vingada, não tire o Joeano”. Percebeu-se a ironia. O brasileiro continuou em campo e aos 27 minutos marcou outra vez (2-0): lançamento longo de Zé Castro para Filipe Teixeira, cruzamento e novo tento de cabeça. E veio o comentário mordaz: “O Benfica teve um erro de casting”. Aliás, minutos antes, o tema já tinha sido aflorado: “O Marcel foi com o Benfica a Barcelona para ver se arranjava uma camisola, mas parece que não teve sorte...”.
Entretanto, na página dos “Pardalitos”, as jogadas eram descritas minuto a minuto e alguns comentários de cibernautas iam surgindo. Numa coisa, ambos estavam de acordo (os “Pardalitos” e a RUC): o resultado da Académica era bem melhor do que a exibição. “Incrível, 100% de eficácia para o ataque da Académica. Agora não se esqueçam de fazer a mesma borrada da semana passada...”, ditava João Lemos, o repórter-pardalito no estádio, para o Nuno que, doente em casa e impedido de sair, colocava on-line as informações que lhe chegavam, sempre no mesmo minuto. É assim a “rede”.
Veio o golo da Naval (2-1, por Lito, aos 33) que deixou muitas dúvidas tanto na rádio como no blog. (E também a mim, à noite, na televisão). Logo a seguir, cartão amarelo para o guarda-redes da Académica, por “queimar tempo”. E os comentários: “Comportamento completamente idiota” (RUC); “Começamos cedo” (blog). Hugo Alcântara também não escapa às críticas: “Não teria sido melhor pagar o que José António queria? Hugo Alcântara tem feito uma época péssima!” (RUC).
A Académica estava a vencer mas a Naval dominava. “Eu não quero dizer isto... Mas só dá Naval”, leio no blog. “Cada cruzamento da Naval parece um penalty”, ouço na rádio.
Chega o intervalo. “A Académica, se está a vencer por 2-1, tem de agradecer ao Joeano, pois a equipa tem estado muito nervosa! Luciano e Fernando estão muito desinspirados, Hugo Alcântara desconcentrado e a Académica terá de acalmar para conseguir matar o jogo na 2.ª parte” é a síntese do blog. A RUC já tocara nesse aspecto: “Irritante é a atitude do Luciano e do Fernando; perdem a bola e não fazem nada para a recuperar”. O blog conseguira publicar 44 linhas de relato e já registava 19 comentários de utilizadores!
Começa a 2.ª parte. “A Académica está melhor, mais concentrada, mais tranquila, depois de uma 1.ª parte muito cinzenta”, resume a RUC. Mas é por pouco tempo. Nuno Piloto é expulso aos 53 minutos. No blog, um utilizador informa: “É a primeira expulsão da carreira, incluindo os escalões de formação!”. Fica-se a saber mais. A Naval pressiona. “Que sufoco, meu Deus!”, escreve o blog. “Estou com muito mau pressentimento. A Académica deixou de jogar futebol depois da expulsão”, diz João Quaresma.
Adivinhava-se o golo figueirense. Que surgiu aos 66 minutos: 2-2. “Golo da Naval, com Alcântara e Dani muito mal batidos... Já se estava à espera! Saulo completamente sozinho”, escreve-se no blog. E logo o coentário: “Incrível... segundo jogo consecutivo em que não se consegue segurar uma vantagem!”. Na RUC os comentários são semelhantes. Mas vão mais além: “Pedro Roma tirava (defendia) à vontade”. Opiniões.
O jogo arrasta-se e chega o período de compensação: irão jogar-se mais 4 minutos. Entretanto, a Académica já tinha nove (Andrade expulso aos 87). E acabará mesmo com oito jogadores em campo, depois da expulsão de Joeano aos 93. O técnico Nelo Vingada também já tinha sido expulso nessa altura.
No blog: “Final muito triste no Estádio Cidade de Coimbra. (...) Cartão amarelo a N’Doye por protestos. Está tudo de cabeça perdida! (...) Remate de Joeano... ia ser golo! Desviado para canto! Cartão vermelho a Joano! Era canto e o árbitro marcou pontapé de baliza... e expulsou Joeano! (...) Tá tudo perdido! Grande confusão... Já entram pessoas dentro do tartan. Grande confusão no estádio! Há muitas pessoas a quererem invadir o relvado, com o ‘banco’ da Académica todo expulso! É uma verdadeira vergonha! O árbitro acaba o jogo! Que revolta!”.
“A Naval fez um bom jogo e não tem nada a ver [com isto]”, comenta a RUC. Mas parece que o árbitro não esteve nada bem. “O primeiro cartão a Nuno Piloto é injusto. O vermelho a Andrade é disparate”, sentencia a rádio. E sendo assim, a Académica – que já sentia dificuldades frente à Naval desde o início do jogo – viu-se metida num colete de forças bem maior na parte final do desafio.
Concluído o jogo, no blog registavam-se 54 linhas de relato e 42 comentários. Ou seja: muita gente ligada, desta forma, ao que se passava no “Cidade de Coimbra”. Mas delicioso, delicioso mesmo, foi o comentário da RUC quando um espectador saltou a vedação: “É uma partida de futebol interactiva, há um espectador no tartan”.
Foi uma tarde bem passada, longe do estádio, a “ver” a Académica jogar.

PS – Se quiser ver os golos, em vídeo, vá a http://futebol.sapo.pt. Única condição: aceder através de uma ligação internet do grupo PT. (Segunda-feira. Acabo de ver meia dúzia de vezes o lance do 1.º golo da Naval. É difícil tirar uma conclusão, mas parece que o defesa-direito da Académica, lá do outro lado, coloca em jogo Lito. Parece...)